segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 10.



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A opressão dos muçulmanos.
No dia da queda de Constantinopla, seu conquistador Mohamed II (1430-1481) agiu para com os Cristãos como um tigre sedento de sangue; mais tarde, no entanto, ele mudou sua atitude, e começou a bajulá-los com promessas. Alguns dizem que ele estava simplesmente cumprindo certas injunções do Corão, que permitiam auto-governo para membros de comunidades monoteístas, contanto que eles pagassem uma taxa tributária. Tendo sabido que o cargo de Patriarca estava vago, ele ordenou então que um homem compatível fosse eleito para o posto; Gennadius Scholarius foi escolhido e se apresentou diante dele. O Conquistador o recebeu favoravelmente, vestiu-o com uma preciosa capa, pôs um báculo pastoral em sua mão, e presenteou-o com mil florins e um cavalo branco. "Dirige teu rebanho em paz,” ele disse, e “goze de nossa amizade”, e “mantenha todos os privilégios de teus predecessores”.
Daí em diante, de acordo com as ordens claras de Mohamed II, o Patriarca Ortodoxo deveria continuar suas obrigações com seu clero atendente, não molestado e isento de taxas; foi deixada em sua posse as Igrejas Cristãs, foi permitido que se celebrasse livremente todas as cerimônias da louvação cristã, e que supervisionasse os assuntos domésticos de seu povo. Os mesmos privilégios foram concedidos pelo Conquistador ao Patriarca Ortodoxo de Jerusalém em 1455, quando ele reconheceu e confirmou os direitos dos gregos sobre os Sagrados Santuários.
A Violação pelo Conquistador de Suas Promessas. Infelizmente, no entanto, o fanatismo com o qual os governantes islâmicos estavam imbuídos, fez com que eles não respeitassem as promessas feitas. O próprio Conquistador, que pouco antes havia reconhecido as igrejas cristãs como locais de louvação para seus súditos (com a exceção de Santa Sofia, da qual ele tinha se apropriado desde o começo), rapidamente mudou de idéia, e transformou doze das mais bonitas igrejas em mesquitas islâmicas.
Quando Gennadius se aposentou do Patriarcado, Mohamed, extraiu a cada eleição de novo patriarca uma soma de dinheiro conhecida como "peskesi," que aumentava a cada nova eleição; de tal modo que na eleição do Patriarca Rafael, que, não sendo capaz de juntar essa grande soma, foi deposto e mandado em grilhões para as ruas para pedir caridade aos passantes. Pois mesmo contra a pessoa do Patriarca a violência de Mohamed não conheceu limites; O Patriarca Joasaph (1464-1466), teve sua barba cortada porque ele se recusou a confirmar um casamento ilegal, e, ao mesmo tempo, cortou o nariz do primeiro-capelão do Patriarca.
O Conquistador, além disso, organizava sistematicamente o abominável rapto de crianças. Cada quatro anos os oficiais turcos marchavam pelas províncias, e de cada dez famílias cristãs era escolhida uma criança com não mais de sete anos, que eles carregavam para Constantinopla, educavam no fanatismo islâmico em uma instituição especialmente criada para esse propósito, e então a colocavam no temível regimento militar dos Janizários. Assim, de carne e sangue Cristãos eram feitos os mais mortíferos inimigos do Cristianismo, que dirigiam suas espadas contra seus próprios pais e irmãos.
Todos os sucessores do Conquistador igualaram-no em ferocidade, e alguns, na verdade, ultrapassaram-no. Selim I (1512-1530) submeteu ao Mufti a questão se seria mais proveitoso para sua alma por o mundo inteiro em sujeição, ou converter o seu Império todo ao Islã. Quando lhe foi dito que esse último evento seria mais aceitável por Alá, ele instigou uma feroz perseguição contra os cristãos seus súditos, mandando que seu Grão Vizir transformasse todas as igrejas que haviam sido deixadas para os cristãos, em mesquitas; e matasse todos os cristãos que não mudassem de fé. Mas o Grão Vizir, comunicou secretamente o decreto do sultão ao Patriarca Theoleptus, que apelou pelos privilégios prometidos pelo Conquistador, e assim conseguiu evitar que o fanático rancor do tirano realizasse sua mais violenta ameaça.
Ele não foi, no entanto, capaz de salvar todas as Igrejas; pois tais belas e majestosas construções, disseram os conselheiros do Sultão, não deveriam ser usadas para adoração de ídolos. Entre as poucas igrejas que escaparam naquele tempo, estava a de "Pammakaristos," para onde o Patriarca foi transferido, após a destruição da Igreja dos Santos Apóstolos, que havia sucedido Santa Sofia. Mas em 1586 a igreja de Pammakaristos, também, foi tomada pelas ferozes hordas de Murad III e transformada em mesquita; e após remover de lugar para lugar, o Patriarca Ortodoxo finalmente estabeleceu-a no ano de 1600 na igreja de São George, no distrito de Phanari, onde tem permanecido até os dias de hoje.
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domingo, 22 de setembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 09.



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As Cruzadas: Atendendo ao apelo do papa Urbano II, em 1095, foram organizadas na Europa expedições militares conhecidas como Cruzadas, cujo objetivo oficial era reconquistar os lugares sagrados do cristianismo (Jerusalém, por exemplo) que estavam em poder dos muçulmanos.
Entretanto, além da questão religiosa, outras causas motivaram as cruzadas: a mentalidade guerreira da nobreza feudal européia, canalizada pela Igreja contra inimigos externos do cristianismo (os muçulmanos); e o interesse econômico de dominar importantes cidades comerciais do Oriente.
De
1096 a 1270, a cristandade européia organizou oito cruzadas, tendo como bandeira promover guerra santa contra os infiéis muçulmanos.
Cerco de Constantinopla. Por sete séculos Constantinopla permaneceu firme como a rocha da Europa Cristã, na qual a maré irresistível do Islamismo batia em vão. Mas ela estava destinada a cair afinal, exausta, na terça-feira, 29 de maio de 1453. O fundador do islamismo tinha previsto que um dia a grande cidade cairia nas mãos de seus seguidores. Essa profecia foi cumprida pelos turcos, que receberem o Islã dos árabes, e prosseguiram na missão de espalhar o Islã além fronteiras pela conquista e dominação das nações.
O Império Bizantino estava em trágica posição na época da queda, após ter guerreado por mil anos com inimigos bárbaros de todos os lados. Os sessenta anos de governo latino em Constantinopla tinham minado seriamente suas bases; e as contínuas invasões turcas tinham dimunuido o Império por todos os lados reduzindo-o a um reino de humildes dimensões. Mohamed II, que era apelidado de "o conquistador," cercou a capital com um exército fanático de 250.000 homens, contra cerca de 7.000 soldados cristãos reunidos em torno do último Imperador Constantino Paleólogo. Constantino foi ousado o suficiente para dar uma digna resposta ao seu poderoso inimigo que pedia uma rendição pacífica da cidade: "Dar a cidade para ti não está em meu poder, nem no poder de nenhum homem que habita aqui; pois temos um acordo e todos nós preferimos morrer, e não pouparemos nossas vidas”.
As Últimas Horas de Constantinopla. Quando Constantino constatou que a destruição era inevitável, colocou a si e a sua cidade nas mãos de Deus e preparou-se para morrer como um mártir. Ele primeiro ordenou que uma “litania” deveria ser cantada através de toda a cidade. E bispos, padres, monges, homens, mulheres e crianças, todos se juntaram a procissão chorando e clamando: "Senhor, tem piedade e salva a Tua herança!" Então, Constantino dirigiu aos homens que estavam ao redor dele, comovedoras palavras, incentivando-os a enfrentar a morte com a coragem dos mártires; e todos clamavam: "Sim, morramos pela fé em Cristo e pela terra de nossos pais."
O Imperador foi para a igreja de Santa Sofia para tomar sua última comunhão; então, subindo ao portão de Romanus, começou a dirigir a desesperada defesa. Mas foi subitamente cercado pelo inimigo e morto. Logo depois, a cidade estava sendo saqueada. Os homens eram degolados, e as jovens eram levadas em cativeiro; os Vasos Sagrados eram usados como copos comuns para as selvagens orgias dos turcos vitoriosos; e o conquistador cavalgou arrogantemente para dentro da Catedral de Santa Sofia, e transformou-a numa mesquita muçulmana.
O Significado da Queda de Constantinopla. A queda de Constantinopla marcou o colapso do último baluarte do Cristianismo Oriental e sua civilização. Outras províncias rapidamente compartilharam seu destino; a Sérvia caiu em 1459, o Peloponeso em 1459, Trebizonda em 1461, Bósnia em 1463, Albânia em 1467 e Herzegovina em 1483.
Esse evento histórico teve grandes conseqüências e ensinou importantes lições. Abriu um poço de vida intelectual para a Europa, pois eruditos fugitivos de Constantinopla assentaram-se no Ocidente e semearam sementes da Renascença e da Reforma. E do ponto-de-vista religioso, a queda de Constantinopla causou uma forte manifestação de fervor religioso. Grande foi a queda deles, mas também grande sua esperança consoladora. No momento em que os turcos entraram na Catedral de Santa Sofia, (assim diz uma tradição popular largamente espalhada), a Divina Liturgia estava sendo celebrada, e os padres chocados em horror foram congelados como mármore em seus lugares. Mas um dia chegará quando a bela cidade será restituída ao Cristianismo; e então os padres de mármore terão vida novamente e terminarão sua Liturgia interrompida.
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domingo, 8 de setembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 08.



Sujeição dos Patriarcados ao Islã.
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O Islã como Poder Conquistador. A dominação dos maometanos trouxe desastrosas conseqüências e culminaram com a sujeição das antigas Igrejas do Oriente a mandatários de outra fé. Maomé morreu em 632, e seu trabalho, segundo seu próprio comando, foi continuado por seus sucessores, os califas. Provenientes da península arábica, nos anos seguintes à morte de Maomé em 632, eclodiu a tempestade das invasões islâmicas. Abu Bekr (632-634) conquistou Damasco; Omar (634-643) invadiu a Pérsia, completou a conquista da Síria e colocou sob sua sujeição a Palestina e o Egito; e Otman (643-665) finalmente dominou a Pérsia e conquistou quase todo Norte da Àfrica.
Depois deles, Muaviah sitiou Constantinopla por terra e mar por sete anos (672-678), e só foi impedido de capturá-la nessa época pelo valente Imperador de Bizâncio, Constantino Pogonatus, que queimou a frota islâmica por meio do "fogo líquido" inventado pelo engenheiro grego Callinicus.
Mas mesmo depois desse desastre os árabes rapidamente recuperaram seu zêlo vitorioso; e, em 711, estabelecidos nas praias do norte da África, se lançaram pelo estreito de Gibraltar para a Espanha e avançaram direto para a França, onde o bravo general Charles Martel, finalmente, derrotou-os na batalha de Poitiers, em 732, exatamente cem anos depois da morte de Maomé.
A Sujeição dos Patriarcados ao Islã. O Islamismo com todos os seus eventos reduziu severamente os contornos da Igreja do Oriente e privou-a de belas províncias; os famosos Patriarcados de Jerusalém, Antioquia e Alexandria, que caíram logo sob os árabes, perderam sua antiga glória e vitalidade. Durante o cerco de Jerusalém por Omar, Sofrônio, o prudente Patriarca, encabeçou uma delegação ao encontro do califa e entregou a cidade a ele em termos favoráveis evitando assim a sua destruição.
Omar recebeu-o generosamente, e permitiu aos Cristãos manter os seus templos sem serem molestados sob a única condição de pagarem o "haratsi" ou "imposto de capital." Mas na Síria e outros lugares o "haratsi" não foi considerado suficiente, e aqueles que não mudaram a sua fé foram forçados a se submeter a todo tipo de humilhação. Todas as pessoas que professassem uma religião diferente da islâmica eram obrigadas a pagar um imposto especial (a Jyzia); se não o pagassem, essas pessoas eram decapitadas. Em tempo de guerra, a Jizya era aumentada de tal forma que reduzia os não-maometanos à penúria e à miséria, e muitas vezes à condição de escravatura, salvo se se convertessem ao Islão. Esta era a “tolerância” islâmica.
Não lhes era permitido montar um cavalo; a construção de Igrejas, procissões públicas, toque de sinos, e colocação de cruz nos sepulcros, tudo isso era proibido; e eram impedidos de manter posições oficiais. Infelizmente a conquista Islâmica da Síria e Egito foi facilitada pelas grandes disputas religiosas no sétimo século, que estavam grassando nessas províncias nessa época. Nestorianos, Coptas e Jacobitas eram consumidos por tal ódio pelos Cristãos Ortodoxos da região, a quem eles chamavam de “Melquitas" ou "Realistas" (do Rei), que eles saudaram o advento do governo islâmico como uma libertação.
Nos países conquistados, o cristianismo foi desaparecendo lentamente, com exceção de comunidades que ainda hoje resistem, formando Igrejas estruturadas: os coptas no Egito e na Etiópia, os Maronitas no Líbano. No norte da África, terra de Agostinho, Cipriano, Tertuliano, glórias da Igreja, a extinção foi definitiva: no momento da conquista havia 40 bispos, em 1076 eram dois.
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sábado, 24 de agosto de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 07.



Os cinco Patriarcados.
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Os Cincos Patriarcas. Antes de Constantino, Bizâncio era um insignificante episcopado sob o comando do Metropolita de Heraclea. Mas a partir do momento que a assim renomeada Constantinopla (cidade de Constantino) suplantou a velha Roma como capital do Império Romano, ela veio a ser, também, o mais importante arcebispado do império; e o Quarto Concílio Ecumênico intitulou o Arcebispo de Constantinopla com igual reverência à do Arcebispo de Roma, "porque Constantinopla é a cidade do rei." Pela mesma razão, a outrora insignificante cidade de Bizâncio foi elevada à condição de capital do mundo ao mesmo tempo em que a antiga cidade de Roma estava decrescendo. Em 587 o Arcebispo de Constantinopla, João o Jejuador, reivindicou e obteve o título honorífico de "Ecumênico", ou seja, “bispo Universal”.
Seu rival, Gregório o Grande, de Roma, recusou-se a usar esse título, nem tanto contra o título em si, mas como um protesto contra o portador dele (João), e procedia provavelmente mais de ciúme de um rival em Constantinopla do que de uma sincera humildade.  Mas, os sucessores de Gregório, em Roma, não esperaram muito para chamar a si mesmo “bispos universais”. O conceito de "bispo universal", por direito, pertence somente a Cristo (1 Pedro 2:25). A hierarquia que agora está centralizada na Cidade do Vaticano é totalmente estranha ao Novo Testamento.
Discute-se se, em Bizâncio, a Igreja entregou sua "liberdade" nas mãos dos Césares, com a presunção de que o Imperador era o real governante da Igreja, mesmo que nunca tenha sido reconhecido como sua cabeça. Tem sido dito mais de uma vez, que em Bizâncio a Igreja simplesmente deixou de existir como uma "instituição independente" e foi praticamente reduzida ao estado de "departamento litúrgico do Império”.
Com o correr do tempo, a autoridade administrativa dos Arcebispos de Éfeso e Cesarea tornaram-se subordinadas ao Arcebispo de Constantinopla, e Salonica ficou sobre o comando de Roma; e em 431 o episcopado de Jerusalém, foi promovido ao nível de centro eclesiástico independente, como uma reverência com a Cidade Santa que havia sido o berço do Cristianismo no seu nascimento. Assim, em meados do século quinto, existiram, no mundo cristão, cinco governantes eclesiásticos supremos, que começaram a receber o título de "Patriarcas": os Arcebispos de Roma, Constantinopla, Alexandria, Antioquia e Jerusalém, além da igreja de Chipre que passou a ter uma consideração especial devido à sua origem apostólica.
Catástrofes políticas no Oriente, isto é, a invasão Persa e a conquista Árabe, junto com a secessão dos Monofisistas e Nestorianos no Egito e na Síria, reduziram o papel das antigas grandes Sés daquelas áreas, e isso acelerou a subida da Sé de Constantinopla. As ferozes incursões do Mohamedanismo ao Egito, Síria e Palestina diminuíram a importância dos três últimos Patriarcados citados e os restringiram de todos os modos. Daí em diante, duas cabeças eclesiásticas permaneceram supremas no Cristianismo; no Ocidente o Primado da Velha Roma, cuja autoridade era firmemente crescente; e no Oriente o Primado da Nova Roma, ou Constantinopla, que estava lutando para manter sua independência eclesiástica.
A Ambição dos Papas de Roma. Apesar de sua posição exaltada e seu impressionante título de "Patriarca Ecumênico," o Patriarca de Constantinopla exercia uma autoridade que era restrita de muitas maneiras e nunca foi capaz de ambicionar a suprema autoridade sobre o mundo todo. A glória política de seu trono foi obscurecida pela origem apostólica ou pela renovada santidade de outras cidades do oriente, e sua liberdade era cortada pelo Imperador Bizantino, que convocava os concílios, e às vezes, até mesmo ele próprio emitia Decretos de Fé, indicava o Patriarca, e constantemente interferia nos assuntos eclesiásticos. A posição do Papa, no entanto, era completamente diferente. Roma era a única Igreja Apostólica do Ocidente, e era, por isso, olhada reverentemente pelos Cristãos da Itália, Gália, Espanha, África e outros.
O Imperador, cujo trono estava então no Oriente, estava muito longe para ingerir-se nos assuntos da Igreja de Roma, e cabeças da Igreja Oriental, perseguidos por Imperadores heréticos, como foi o caso, por exemplo, de Atanásio, procuravam refúgio com os Papas de Roma. Até o passado histórico de Roma, uma vez mandatária no mundo todo, alimentava no coração dos Papas ambições despóticas e imperialistas. Assim, desde os primeiros tempos, vemos atitudes arrogantes dos Papas para com seus companheiros-bispos. Os Papas nunca falharam em tirar vantagem de qualquer circunstância que pudesse colaborar com o objetivo de sujeição de outros bispos, até que, tendo reunido todas as Igrejas Ocidentais sob sua autoridade, eles julgaram o momento oportuno para invadir as Igrejas do Oriente. Encontraram um pretexto para sua intenção nas disputas e lutas domésticas em Constantinopla durante o século nono.
Continua no próximo post.

Um "status" independente foi concedido à Igreja de Chipre, em consideração à sua origem Apostólica e antiga glória.

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 06.




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Um dos feitos mais importantes ocorridos na terra do Egito ao largo de sua história, foi a chegada de Jesus Cristo e a Sagrada Família. Com espírito profético, Oseías viu o Messias partir de Belém, de onde não havia lugar em toda a Jerusalém para repousar sua cabeça, para refugiar-se nas terras do Egito, por isso diz a profecia: “do Egito chamei o meu filho.” (Os 11.1).
Com mais detalhes nos fala o profeta Isaías em seu livro bíblico sobre essa sagrada viagem, dizendo: “Sentença contra o Egito. Eis que o SENHOR, cavalgando uma nuvem ligeira, vem ao Egito; os ídolos do Egito estremecerão diante dele, e o coração dos egípcios se derreterá dentro deles.” (Isaías 19:1 RA). Assim ocorreu, pois quando Jesus Cristo entrava em qualquer cidade do Egito, os ídolos caiam nos templos, quebrando-se; feito insólito que aterrorizava ao povo.
A Igreja Copta acredita que a entrada de Jesus Cristo no Egito foi uma grande benção para as suas terras e para o seu povo, por isso Deus disse: “... Bendito seja o Egito, meu povo...” (Isaías 19.25), e se cumpriu a profecia de Isaías que disse: “Naquele dia, o SENHOR terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao SENHOR na sua fronteira.  Servirá de sinal e de testemunho ao SENHOR dos Exércitos na terra do Egito; ao SENHOR clamarão por causa dos opressores, e Ele lhes enviará um salvador e defensor que os há de livrar.” (Isaías 19:19-20 RA)
Para os coptas o trecho “haverá um altar dedicado ao Senhor no meio do Egito” significa o altar da “Igreja da Virgem Maria” em Deir Al-Moharraq Al-Amer, onde permaneceu a Sagrada Família por mais de seis meses, e a superfície do altar é a pedra em que dormia o menino Jesus. Muitas igrejas foram erguidas por todo o país, especialmente naqueles lugares visitados e abençoados pela Sagrada Família.
A visita de Jesus Cristo foi o verdadeiro preâmbulo da chegada de São Marcos, o evangelista, ao Egito e a fundação da Igreja de Alexandria. A fé se propagou entre as pessoas e assim o povo do Egito passou a conhecer bem a Deus e Lhe rendeu merecido culto cumprindo-se assim a profecia: “O SENHOR se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão o SENHOR naquele dia; sim, eles o adorarão com sacrifícios e ofertas de manjares, e farão votos ao SENHOR, e os cumprirão.” (Isaías 19.21 RA).
Saiu José da terra da Palestina como havia sinalizado o Anjo (Mateus 2.13), e com ele saiu a Virgem Maria montada num jumento, levando o menino Jesus em seus braços. A viagem da Sagrada Família pelas terras do Egito foi dura, cheia de dor e cansaço, através de uma terra árida e cruel. Cruzaram desertos, chapadas e vales, deslocando-se de um lugar para outro, rodeados por muitos perigos, onde animais ferozes ameaçavam suas vidas nas estepes. Sua viagem foi através do deserto, por lugares onde as pessoas só viajavam em grupos, já que sem a proteção de uma caravana organizada, havia poucas esperanças de sobrevivência. Os anjos o guiaram e protegeram.
Segundo as fontes históricas coptas, entre elas se destaca a Meimar (livro de registro de feitos históricos religiosos) do Papa Teófilo de Alexandria (384-412 D.C.), existiam naquele tempo três caminhos em sua rota desde a Palestina até o Egito. Porém, a Sagrada Família não utilizou nenhum desses caminhos, pois estavam fugindo da maldade do Rei Herodes. Escolheram um caminho diferente, guiados por Deus através de um dos Seus Anjos, sendo este caminho registrado no livro dos Santos Coptas “Sinexarium”. A Sagrada Família caminhou de Belém a Gaza até o Parque de Zaraniq e chegou à cidade de Tel Basta. Lá, Jesus Cristo criou uma fonte de água. A cidade estava cheia de ídolos que caíram no solo com a chegada da Sagrada Família. Pelo ocorrido a Sagrada Família foi maltratada pela gente de lá e, se viram obrigados a irem embora, dirigindo-se para o Sul.
Chegaram ao povoado de “Al-Mahamma”, cujo significado é Lugar de Banho, porque lá a Virgem Maria banhou o menino Jesus e lavou a sua roupa. O Monastério de Al Moharrak é um dos locais de parada mais importantes da Sagrada Família em sua viagem, de tal forma que foi denominada a segunda Belém. A Sagrada Família permaneceu seis meses e dez dias na gruta que viria a se tornar no altar da igreja antiga da Virgem, na parte ocidental do Monastério. O altar desta igreja é uma grande rocha onde se sentava Nosso Senhor Jesus Cristo.
Neste Monastério, o Anjo de Deus apareceu a José em sonho e disse: “ Dispõe-te, toma o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; porque já morreram os que atentavam contra a vida do menino.” (Mateus 2:20 RA). Durante o retorno, a Sagrada Família tomou um caminho ao sul da Montanha de Asiut e de lá continuaram até Nazaré na Galiléia, onde José e a Sagrada Família passaram a viver.
Continua no próximo post.


sexta-feira, 26 de julho de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 05.



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Separadas das igrejas Ortodoxas existem as Igrejas cristãs cujas bases são anteriores ao estabelecimento do catolicismo e da ortodoxia. É o caso das igrejas não-calcedonianas e da Igreja Assíria do Oriente (Nestoriana).
Entre as igrejas não-calcedonianas, destaca-se a Igreja Copta, cuja história é um cadastro de heróicos mártires. Como importante província do Império Romano, o Egito atraiu toda a fúria da perseguição dos imperadores, principalmente de Diocleciano, na derradeira década do império pagão. Foi nesse começo do século 4 que teve início o calendário copta, marcando a era dos mártires, muitos dos quais são celebrados no calendário romano e também no bizantino.
Além da marca do martírio, a Igreja Copta assinalou a história com a propagação do pensamento cristão. Em Alexandria floresceu a primeira Escola Catequética, como universidade de estudos filosóficos e teológicos de grandes mestres como Atanásio, Cirilo, Orígenes, Dídimo o Cego, etc. Atanásio foi quem escreveu o Credo, que é recitado na liturgia de todos os ritos; Dídimo o Cego, conhecia a Bíblia de cor. Cirilo é o teólogo da Encarnação do Verbo de Deus.
O monaquismo é um dom do Egito e surgiu da necessidade de orar sempre, de meditar na palavra de Deus e guardar a vida cristã, longe do mal do mundo. Santo Antão é o primeiro eremita, cuja vida foi escrita por Atanásio. Outro amigo de Atanásio foi Pacômio, o fundador da vida cenobítica ou comunitária, regida por uma regra comum, tão importante que Basílio a levou para o Oriente bizantino e Cesário, para o Ocidente católico. Foi esta a Regra que inspirou Bento, o educador da Europa.
Os coptas são os cristãos herdeiros de Marcos.  Marcos, o escritor do segundo evangelho foi missionário em Alexandria. A igreja copta teve início com a pregação de Marcos no Egito. Foi ele o fundador da primeira Igreja cristã no norte da África. Daquela primeira comunidade se desenvolveu a Igreja dos “coptas”, do nome árabe para os egípcios (“qubte”). É uma Igreja da Ortodoxia, mas que se distingue por ser monofisista e de hábito histórico de viver isolada.
Dessa Igreja copta, pela evangelização, nasceu a Igreja dos etíopes por volta do ano 640, que se tornou autônoma em 1948. Da Igreja copta etíope se originou a Igreja copta da Eritréia. Hoje os coptas no Egito são estimados entre 10 e 15 milhões, sob a direção do seu patriarca que tem o nome de papa, o Papa Shenuda III, que vive no Cairo e é o 117º. Patriarca, depois de São Marcos. Na Etiópia, eles chegam a 32 milhões, e o Patriarca é o Abuna Paulos. Na Eritréia são 2 milhões, e seu Patriarca Antonios está em prisão domiciliar, por força do regime político ditatorial. No seu lugar foi colocado Abuna Dioskoros, não reconhecido pelas outras Igrejas da Ortodoxia.
Para os coptas, o jejum é uma prática importantíssima. Durante o dia de jejum, nada se pode comer desde o amanhecer até o pôr-do-sol. Os coptas da Etiópia consideram Lalibela uma cidade santa construída por anjos. Os turistas a reconhecem como uma maravilha arquitetônica e uma ilha de espiritualidade. Lalibela é um lugar fascinante com suas onze esplêndidas igrejas escavadas na rocha. Hoje continua a ser meta de peregrinação de milhares de fiéis. Há alguns anos os turistas começaram a vir visitá-la em grande número. O noticiário da revista Portas Abertas informa que, “em Setembro de 2008, líderes das igrejas evangélicas de Lalibela, norte da Etiópia, receberam ordem de interromper todos os cultos em suas igrejas. A pressão da igreja ortodoxa da Etiópia para destruir a associação dos protestantes foi tão severa que muitos deixaram a área”.
O copta foi a língua nacional egípcia do século III, época da conversão ao cristianismo da maioria da população, até o século XII, quando a invasão muçulmana determinou o uso generalizado da língua árabe e a mudança de religião, deixando em pouco tempo o Islã como majoritário.
“Aghapy”, que quer dizer “amor incondicionado” (“ágape”), é a TV dos coptas do Egito, com sede no Cairo. A transmissão dos cultos é feita pela internet, podendo ser acessada pelo endereço eletrônico abaixo:
http://www.livestream.com/elmaqar?utm_source=website-channel-page&utm_medium=related
 Continua no próximo post.