quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 14.


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A Igreja da Grécia nos Tempos Modernos.

A Igreja da Grécia, que sofreu enormemente sob a dominação islâmica turca, entrou em um novo estágio de sua vida desde o dia em que a revolução grega recebeu a benção do clero grego; membros do clero se destacaram como líderes militares; e membros do clero sentaram no primeiro concílio nacional da Nova Grécia. Desde os tempos de Léo o Isauriano (714-741), a Igreja dessas regiões eram uma dependência do Patriarcado Ecumênico, de Constantinopla, ao qual estavam organicamente juntas. Mas os líderes da Revolução consideraram que sua independência política da Turquia não estaria completa se não fosse acompanhada pela emancipação eclesiástica. Daí, na Assembléia Geral de Nauplion em 1833, e na proclamação da constituição sob o Rei Otto em 1844, os representantes da nação declararam que, apesar da Igreja da Grécia permanecer unida com a Igreja de Constantinopla em questões de dogma, ela gozaria de completa autonomia em questões de governo.
Em grande parte eles estavam certos; pois os limites eclesiásticos sempre se conformaram aos limites políticos, e um país livre deve ter uma Igreja livre. Por um longo período o Patriarcado Ecumênico não concedeu. Ele via a propriedade da Igreja sendo quebrada ostensivamente para ser malbaratada pelos leigos. Ele temia que a separação administrativa da Igreja da Grécia pudesse ser tomada como um precedente por outros povos dos Balkans que não estavam ainda preparados para autogoverno; e ele estava particularmente apreensivo que os conselheiros protestantes do Rei Otto fossem introduzir no jovem estado da Grécia formas de governo contrárias aos princípios Ortodoxos. No fim, no entanto, ele cedeu, e emitiu em 1850 o Tomo Sinótico sobre a emancipação da Igreja da Grécia, declarando seu direito ao autogoverno. Nos anos que se seguiram a revolução, os limites da Igreja da Grécia, assim como os da própria nação estavam restritos. Mas em 1863, as Ilhas Iônicas foram unidas à Pátria-mãe; em 1878, Tessalônica e parte do Epirus; em 1913 a Macedônia do Sul, Creta e algumas Ilhas do Mar Egeu; e em 1922, a Trácia Ocidental. Como resultado desses vários aumentos no território nacional, os limites da Igreja da Grécia também foram aumentados, à custa da diminuição dos limites do Patriarcado Ecumênico, em cuja jurisdição essas áreas estiveram por séculos.
Hoje em dia, a Igreja da Grécia inclui cerca de oitenta Metrópoles das quais trinta e três pertenciam à Grécia pré-guerra, enquanto quarenta e sete foram acrescentadas depois da guerra. Ela é governada por um Sínodo duplo: o "Sínodo Periódico”, que se reúne uma vez por ano em Atenas e inclui todos os bispos, e o "Sínodo Permanente," que consiste de oito bispos e que trata dos assuntos do dia-a-dia. Ambos os sínodos são presididos pelo Arcebispo de Atenas, que também tem o título de "Arcebispo de Toda a Grécia”. A Igreja da Grécia enfrenta muitos problemas. Seus bispos são todos homens de educação erudita, e financeiramente independentes; mas seus padres com freqüência estão necessitados de melhor educação e meios financeiros. Escolas teológicas e clericais na verdade existem; mas como o presbiterado é um chamado quase sem pagamento, seus estudantes usualmente dirigem-se para outras profissões. O povo é ligado à fé Ortodoxa, a qual, no entanto, é continuamente minada por propaganda estrangeira; e apesar da Ortodoxia ser considerada a religião oficial do Estado da Grécia, os dirigentes do país assistem passivamente à má administração das propriedades eclesiásticas e mantém a Igreja em sujeição. Contra todos esses males, a Igreja da Grécia está trabalhando duplo. A posição do clero está melhorando gradualmente; sermões são procurados muito mais; a imprensa está crescendo; instituições de caridade estão sendo fundadas; e a vida religiosa está progredindo tanto na teoria quanto na prática.
Muitos pensam que os que falam grego são privilegiados, porque uma parte considerável das Escrituras Sagradas foi originalmente escrita na língua deles. O grego moderno, porém, é bastante diferente do grego usado na tradução Septuaginta das Escrituras Hebraicas e nas Escrituras Gregas Cristãs (Novo Testamento). Na realidade, durante os últimos seis séculos, para a maioria das pessoas que falam grego, o grego bíblico tem sido tão desconhecido como uma língua estrangeira. Termos antigos foram substituídos por palavras novas, e o vocabulário, a gramática e a sintaxe mudaram.
As traduções da Bíblia em grego popular tem sido condenadas, pela Igreja Grega e tem sido motivo de uma luta longa e árdua. Mas quem resistiria à produção duma Bíblia num grego fácil de entender? Por que alguém desejaria impedir isso? Muitos crêem que os líderes espirituais temem que, se o povo chegar a entender a Bíblia, isso exporia as crenças e os atos anti bíblicos dos clérigos. Mas, Neofitos Vamvas, um notável lingüista e famoso erudito bíblico, considerado como um dos “Instrutores da Nação” cria firmemente que, para despertar a espiritualidade do povo, era preciso traduzir a Bíblia para o grego falado na época. Em 1831, com a ajuda de outros eruditos, ele começou a traduzir a Bíblia para o grego literário. Sua tradução completa foi publicada em 1850. Visto que a Igreja Ortodoxa Grega não o apoiava, ele colaborou com a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira na publicação e distribuição da sua tradução. A igreja chamou-o de “protestante”, e ele logo se viu marginalizado.
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sábado, 30 de novembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 13.

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Patriarcado de Chipre e da Rússia.
A Igreja de Chipre, como os quatro mais antigos Patriarcados, pode também proclamar sua grande antiguidade. Fundada no ano 45 pelos Apóstolos Paulo e Barnabé, ela garantiu o privilégio de autonomia no Terceiro Concílio Ecumênico, que proibiu o Arcebispo de Antioquia de interferir nos assuntos de Chipre. Infelizmente, em 1191, Ricardo Coração de Leão tomou posse da Ilha e vendeu-a para os Cavaleiros do Templo; e daí para frente os infelizes cipriotas, sob o jugo dos fanáticos Católico-Romanos Lusitanos, passaram por todo tipo de sofrimento pela manutenção de sua liberdade nacional e religiosa.
Não só os invasores templários transformaram a maioria deles em servos, como além disso o Papa impôs a eles um Arcebispo Romano, a quem os bispos Ortodoxos eram obrigados a jurar o compromisso de lealdade. Em 1231, na presença do português Pelágio, o representante do Papa Honório III, os Treze Santos Padres foram martirizados tendo sido condenados como heréticos por não aceitar as inovações da Igreja Romana. Eles foram primeiro amarrados a rabos de cavalos e arrastados sobre pedras e a seguir queimados junto com os animais, de modo a tornar impossível a coleta de seus ossos.
A ocupação veneziana da Ilha em 1489 foi simplesmente a substituição da velha tirania por uma nova; e a única faceta redentora da conquista turca que se seguiu em 1571 foi que ela jogou para fora da Ilha todos os intrusos romanos. O coroamento da ferocidade turca foi o estrangulamento em Nicósia do Arcebispo de Chipre, Cipriano, dos Metropolitas de Paphos, Kition e Kyrenia, e de outros cipriotas notáveis, pelo governador turco Kuchuk Mechmet, durante o primeiro ano da Revolução Grega (1821). Em 1878, Chipre foi tomada pela Grã-Bretanha, de onde havia vindo o seu primeiro conquistador, Ricardo Coração de Leão.
Outras Igrejas Ortodoxas.
A Igreja Ortodoxa Oriental e Apostólica que engloba um total de duzentos e cinqüenta milhões de almas no mundo de hoje, não é representada somente pelos quatro mais antigos Patriarcados e pela Igreja Grega Ortodoxa de Chipre. Ela é também representada por várias igrejas locais e independentes, nomeadamente, as Igrejas da Rússia, Grécia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Síria, Polônia e Geórgia, junto com as Igrejas autônomas da Finlândia, Checoslováquia, Estônia e América; e as Igrejas da Diáspora na Europa. Nem devemos nos esquecer dos Ortodoxos Gregos da Dodekanesia e da Albânia. É impossível no presente trabalho, tratar da história de todas essas igrejas. Alguma coisa, no entanto, deve ser dita sobre as cinco importantes dentre elas.
A Igreja da Rússia nos Tempos Modernos - A Igreja da Rússia sempre subordinou-se ao Patriarca de Constantinopla, de quem ela recebeu o Cristianismo em 1229. Em 1588 o Patriarca de Constantinopla, Jeremias II, proclamou essa filha crescida de sua Igreja, independente, e reconheceu o Metropolita de Moscou como o quinto Patriarca da Igreja do Oriente. Com Catarina II os Tsares que a sucederam, a Igreja Russa gozou da posse de quatro Academias Teológicas muito importantes e de numerosos seminários e conseguiu cumprir suas obrigações para com seus membros, como também sustentar florescentes missões entre os israelitas, tártaros e japoneses. Infelizmente, desde a primeira guerra mundial, todas essas promissoras esperanças foram cortadas pelos bolchevistas, que depois de derrubar o Trono Tsarista, pensam que são capazes de derrubar o Trono de Deus. O ateísmo passou a ser o culto oficial da Rússia Soviética. Cristãos são perseguidos. Igrejas construídas magnificamente foram transformadas em clubes, salas de música, cinemas e teatros. Ícones de inimitável beleza, pintados por Publioff ou Stroganoff, que viveram nos séculos quinze e dezessete respectivamente, foram vendidos para o exterior ou publicamente queimados nas praças. Aqueles que permaneceram devotos, e que ainda estão ligados aos modos de vida de seus pais, foram para o exílio, enquanto muitos outros ou foram mortos ou estão desfalecendo nas prisões. Somente nos anos de 1918 a 1920 vinte e seis bispos e seis mil, setecentos e cinqüenta padres foram martirizados pelos bolchevistas. "Religião e Comunismo" — diz Bukharim — "conflitam um com o outro tanto em teoria como na prática... guerra até a morte contra qualquer forma de religião!
Alexis II, foi o homem que restaurou a influência da Igreja Ortodoxa russa após a queda do regime comunista. O patriarca Alexis, contribuiu para a reunificação histórica da sua Igreja com a ortodoxia russa no estrangeiro em Maio de 2007, pondo fim a 80 anos de um cisma que datava desde a revolução bolchevique de 1917. Eleito em 1990 para o cargo, pediu desde o início ao Governo que reintroduzisse o ensino da religião nas escolas. Alexis II, falecido recentemente, era uma pessoa conciliadora e disciplinada, tendo reabilitado vários santos e mártires perseguidos pelo regime comunista. Depois da queda do comunismo, em 1989, o Patriarcado russo – que lidera a maior Igreja Ortodoxa, em número de fiéis – apareceu sempre a querer afirmar-se como o mais importante dentro da ortodoxia.
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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 12.




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Foi durante o século dezoito que a área sujeita à jurisdição do Patriarcado Ecumênico (de Constantinopla) atingiu maiores extensões. Nessa época estavam dependentes dele cerca de cem Metropolitas, Arcebispos e Bispos, que tinham assento na Trácia, Macedônia, Epirus, Albânia, Grécia, as Ilhas Iônicas, Montenegro, Sérvia, Bulgária, Moldavia e Walachia, Hungria e a região chamada de "Pequena Rússia", a qual marcava o limite da autoridade do Patriarca.
Circunstâncias desesperadoras contribuíram para a extensão da esfera de autoridade do Patriarca. Búlgaros, Sérvios, Vlachos, Albaneses e outros povos estavam sendo esmagados pelos todo-poderosos mulçumanos turcos, e necessitavam de proteção para que eles salvassem pelo menos a sua fé; e o único refúgio que eles tinham era o Patriarcado Ecumênico. Assim, em 1766 e 1767, sob o Patriarca Samuel, o Arcebispo de Ipek e Ochrida, que eram naquele tempo os centros eclesiásticos das igrejas na Sérvia e da Bulgária, respectivamente, foram espontaneamente ao Patriarca Ecumênico, solicitando que ele os tomasse sob sua autoridade.
Mas a independência política da Grécia, Sérvia, Romênia, Bulgária e da Albânia, resultou na emancipação desses países da autoridade eclesiástica do Patriarcado. Consequentemente, as fronteiras desse Patriarcado, foram significativamente reduzidas.
Sob o Sultão, esse grande inimigo e açougueiro dos cristãos, havia atentados contra as liberdades do Patriarcado alcançaram sua mais formidável dimensão. Patriarcas cheios de dons como Joaquim III, Joaquim IV, e Dionísio V, conseguiram fazer frente à onda de violência turca. Dionísio V proclamou estado de perseguição contra a Igreja, e fechou todas as igrejas até que a “Porta” rendeu-se. Mas os turcos nunca abandonaram a política de erradicar o cristianismo do seu Império, nem sob os novos governadores turcos pseudo-constitucionais que o sucederam, até que finalmente Kemal, encontrando a Europa cristã em estado de exaustão devido a guerra mundial, tomou a vantagem da oportunidade para continuar a velha política com uma ferocidade sem paralelo.
O Patriarca de Alexandria. Segundo em hierarquia, depois do Patriarcado de Constantinopla vem o de Alexandria, que foi muito ilustre durante os primeiros séculos do Cristianismo, mas declinou enormemente depois das disputas monofisistas e a dominação do Islamismo. No começo do século dezessete tinha somente três igrejas. Quase que a única ocupação de seu Patriarca, era implorar ajuda financeira para contrapor o Patriarcado contra os perigos gêmeos do Islamismo e da heresia; pois, quando ele tornou-se Patriarca de Alexandria, "encontrou a igreja em grande desordem tanto interna quanto externamente; as igrejas dilapidadas, os pobres angustiados e não visitados, o trono profundamente endividado, os cristãos sem pastoreio e hesitantes em sua fé, “as ovelhas pastando lado a lado com cabras e lobos”, e os padres levando uma vida descuidada".
Felizmente, a partir dos dias de Mehmet Ali Pasha (1806-1848) em diante, as condições começaram a melhorar. Mercadores gregos começaram a migrar para o Egito, e vigorosas comunidades cristãs gregas foram fundadas em Alexandria, Cairo, Porto Said, Suez e outros lugares. Dias mais radiosos brilharam para essa Igreja, especialmente depois que ela ficou sob o comando de Patriarcas como Sophrorius (1870-1899), Photius (1900-1925), e Meletius Metaxakis (a partir de 1926), sob os quais os débitos do Patriarcado foram liquidados, igrejas foram construídas, escolas multiplicadas, organizações de caridade foram desenvolvidas, e vida nova foi infundida na Ortodoxia na África. Hoje a sede do Patriarcado é Alexandria, onde em torno do Patriarca reune-se seu Sínodo, composto de sete Metropolitas. O Patriarcado abarca mais de oitenta igrejas, a maioria das quais está no Egito, enquanto outras estão espalhadas pela Núbia, Abissínia, Tunísia e Transvaal. Evidência concreta de sua abundante vitalidade são seus brilhantes oradores, sua imprensa, seu seminário, seus orfanatos, escolas e outras instituições filantrópicas.
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sábado, 2 de novembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 11.




O Raiar da Liberdade.
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Os sofrimentos da igreja ortodoxa sob o jugo muçulmano turco não se limitaram à perda de igrejas. O "pesquesi" cobrado a cada eleição patriarcal continuou a crescer, chegando a quantia de 4.600 peças de ouro; e trocas frequentes de Patriarca significavam para a voracidade turca, pagamentos mais frequentes de "pesquesi". Essas trocas forçadas tornaram-se tão numerosas que durante um único período de oitenta anos (1620-1702), cinquenta patriarcas foram trocados. Murad IV em 1638 fez afogarem o Patriarca Cirilo Lucas. Mohamed IV, nos anos 1651 e 1657 respectivamente, mandou enforcar os Patriarcas Parthenius II e Parthenius III.
Um tributo em dinheiro foi exigido na indicação de cada Metropolita, tal como era em cada eleição Patriarcal, e a vida de um bispo não estava mais segura. Enquanto isso, o "haratsi," ou imposto de capital, que cada cristão súdito tinha que pagar para não ser degolado, também aumentava. O rapto de crianças crescia; não mais a cada quatro anos, como no tempo do Conquistador, mas a cada ano as crianças eram coletadas, e não abaixo de sete anos, mas abaixo de 15 anos. Existiam orgias e conversões forçadas ao Islã às expensas dos súditos cristãos.
De acordo com Meletius Pegas, só no Egito trinta mil cristãos tiveram suas línguas cortadas, para que os pais não transmitissem a fé cristã a seus filhos e de acordo com Montealbani, que viajou pela Albânia em 1625, não havia um só dos cristãos remanescentes que não tivesse um parente transformado em muçulmano forçado. Em 1620, o número de Cristãos na Albânia era de 350.000. Em 1650, eles se reduziram a 50.000.
As Primeiras Luzes na Melhoria da Raça Subjugada. Começou a clarear para os súditos cristãos na Turquia, quando Pedro o Grande (1682-1725), Imperador da Rússia, começou, a tomar sob sua proteção aqueles cristãos. O direito de intervenção da Rússia em nome dos cristãos na Turquia foi reconhecido em todos os eventos dos Poderes Europeus, que confirmaram esse direito em 1774 pelo Tratado de Kainartzik.
Em 25 de março de 1821, o Arcebispo Germanus levantou a bandeira da rebelião contra os muçulmanos turcos, carregando o dístico de "Liberdade ou Morte," e toda Grécia do continente, levantou-se para uma guerra desigual. O Sultão jurou vingança contra os revolucionários. A primeira vítima de sua ira foi o Patriarca de Constantinopla Gregório V, no dia de Páscoa de 1822, foi enforcado nos portões do Patriarcado, e seu corpo morto, depois foi arrastado pelas ruas de e lançado ao mar. Depois dele, os Metropolitas de Éfeso, Calcedônia, Derki, Salônica e Adrianópolis, foram todos mortos de modo similar. Estevão Mavrogenes, foi decapitado, e Nicolas Mourouzes, foi degolado. Não só em Constantinopla, mas em Adrianópolis, Larissa, Chipre, Creta e também em outros lugares, o sangue de muitos veneráveis bispos cristãos foi derramado, ás vezes até mesmo sobre o Santo Altar. Mas após sete anos de guerra, a Grécia, conquistou sua independência.
O estabelecimento de um reino da Grécia independente pelo protocolo de Londres em 1830, e a simultânea proclamação da semi-independência da Servia e Montenegro, foram seguidas em 1839 pela publicação pelos turcos de um documento conhecido como "Hatti Serif," que deu garantia de vida, honra e propriedades de todo súdito turco, independente de sua religião. Depois da terrível guerra da Criméia de 1854, a Turquia emitiu outra declaração, o "Hatti Houmayoun," que proclamou completa igualdade religiosa e civil, aboliu a taxação dos Patriarcas e bispos, removeu todas as restrições sobre a construção de igrejas e escolas Cristãs, etc. Mas tudo isso foi uma encenação para enganar os Poderes Ocidentais, pois eles nutriam um implacável ódio contra todos os cristãos, e isso foi provado, pelos periódicos e metódicos atentados para exterminar todos os seguidores do Evangelho, que se seguiram.
Entretanto, os povos cristãos ortodoxos da Grécia, Servia, Romênia, Bulgária, Albânia e das Ilhas do Mediterrâneo, que por séculos foram atormentados sob o jugo muçulmano turco, estão agora gozando do grande dom da liberdade; e por isso, damos graças a Deus.
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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 10.



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A opressão dos muçulmanos.
No dia da queda de Constantinopla, seu conquistador Mohamed II (1430-1481) agiu para com os Cristãos como um tigre sedento de sangue; mais tarde, no entanto, ele mudou sua atitude, e começou a bajulá-los com promessas. Alguns dizem que ele estava simplesmente cumprindo certas injunções do Corão, que permitiam auto-governo para membros de comunidades monoteístas, contanto que eles pagassem uma taxa tributária. Tendo sabido que o cargo de Patriarca estava vago, ele ordenou então que um homem compatível fosse eleito para o posto; Gennadius Scholarius foi escolhido e se apresentou diante dele. O Conquistador o recebeu favoravelmente, vestiu-o com uma preciosa capa, pôs um báculo pastoral em sua mão, e presenteou-o com mil florins e um cavalo branco. "Dirige teu rebanho em paz,” ele disse, e “goze de nossa amizade”, e “mantenha todos os privilégios de teus predecessores”.
Daí em diante, de acordo com as ordens claras de Mohamed II, o Patriarca Ortodoxo deveria continuar suas obrigações com seu clero atendente, não molestado e isento de taxas; foi deixada em sua posse as Igrejas Cristãs, foi permitido que se celebrasse livremente todas as cerimônias da louvação cristã, e que supervisionasse os assuntos domésticos de seu povo. Os mesmos privilégios foram concedidos pelo Conquistador ao Patriarca Ortodoxo de Jerusalém em 1455, quando ele reconheceu e confirmou os direitos dos gregos sobre os Sagrados Santuários.
A Violação pelo Conquistador de Suas Promessas. Infelizmente, no entanto, o fanatismo com o qual os governantes islâmicos estavam imbuídos, fez com que eles não respeitassem as promessas feitas. O próprio Conquistador, que pouco antes havia reconhecido as igrejas cristãs como locais de louvação para seus súditos (com a exceção de Santa Sofia, da qual ele tinha se apropriado desde o começo), rapidamente mudou de idéia, e transformou doze das mais bonitas igrejas em mesquitas islâmicas.
Quando Gennadius se aposentou do Patriarcado, Mohamed, extraiu a cada eleição de novo patriarca uma soma de dinheiro conhecida como "peskesi," que aumentava a cada nova eleição; de tal modo que na eleição do Patriarca Rafael, que, não sendo capaz de juntar essa grande soma, foi deposto e mandado em grilhões para as ruas para pedir caridade aos passantes. Pois mesmo contra a pessoa do Patriarca a violência de Mohamed não conheceu limites; O Patriarca Joasaph (1464-1466), teve sua barba cortada porque ele se recusou a confirmar um casamento ilegal, e, ao mesmo tempo, cortou o nariz do primeiro-capelão do Patriarca.
O Conquistador, além disso, organizava sistematicamente o abominável rapto de crianças. Cada quatro anos os oficiais turcos marchavam pelas províncias, e de cada dez famílias cristãs era escolhida uma criança com não mais de sete anos, que eles carregavam para Constantinopla, educavam no fanatismo islâmico em uma instituição especialmente criada para esse propósito, e então a colocavam no temível regimento militar dos Janizários. Assim, de carne e sangue Cristãos eram feitos os mais mortíferos inimigos do Cristianismo, que dirigiam suas espadas contra seus próprios pais e irmãos.
Todos os sucessores do Conquistador igualaram-no em ferocidade, e alguns, na verdade, ultrapassaram-no. Selim I (1512-1530) submeteu ao Mufti a questão se seria mais proveitoso para sua alma por o mundo inteiro em sujeição, ou converter o seu Império todo ao Islã. Quando lhe foi dito que esse último evento seria mais aceitável por Alá, ele instigou uma feroz perseguição contra os cristãos seus súditos, mandando que seu Grão Vizir transformasse todas as igrejas que haviam sido deixadas para os cristãos, em mesquitas; e matasse todos os cristãos que não mudassem de fé. Mas o Grão Vizir, comunicou secretamente o decreto do sultão ao Patriarca Theoleptus, que apelou pelos privilégios prometidos pelo Conquistador, e assim conseguiu evitar que o fanático rancor do tirano realizasse sua mais violenta ameaça.
Ele não foi, no entanto, capaz de salvar todas as Igrejas; pois tais belas e majestosas construções, disseram os conselheiros do Sultão, não deveriam ser usadas para adoração de ídolos. Entre as poucas igrejas que escaparam naquele tempo, estava a de "Pammakaristos," para onde o Patriarca foi transferido, após a destruição da Igreja dos Santos Apóstolos, que havia sucedido Santa Sofia. Mas em 1586 a igreja de Pammakaristos, também, foi tomada pelas ferozes hordas de Murad III e transformada em mesquita; e após remover de lugar para lugar, o Patriarca Ortodoxo finalmente estabeleceu-a no ano de 1600 na igreja de São George, no distrito de Phanari, onde tem permanecido até os dias de hoje.
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domingo, 22 de setembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 09.



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As Cruzadas: Atendendo ao apelo do papa Urbano II, em 1095, foram organizadas na Europa expedições militares conhecidas como Cruzadas, cujo objetivo oficial era reconquistar os lugares sagrados do cristianismo (Jerusalém, por exemplo) que estavam em poder dos muçulmanos.
Entretanto, além da questão religiosa, outras causas motivaram as cruzadas: a mentalidade guerreira da nobreza feudal européia, canalizada pela Igreja contra inimigos externos do cristianismo (os muçulmanos); e o interesse econômico de dominar importantes cidades comerciais do Oriente.
De
1096 a 1270, a cristandade européia organizou oito cruzadas, tendo como bandeira promover guerra santa contra os infiéis muçulmanos.
Cerco de Constantinopla. Por sete séculos Constantinopla permaneceu firme como a rocha da Europa Cristã, na qual a maré irresistível do Islamismo batia em vão. Mas ela estava destinada a cair afinal, exausta, na terça-feira, 29 de maio de 1453. O fundador do islamismo tinha previsto que um dia a grande cidade cairia nas mãos de seus seguidores. Essa profecia foi cumprida pelos turcos, que receberem o Islã dos árabes, e prosseguiram na missão de espalhar o Islã além fronteiras pela conquista e dominação das nações.
O Império Bizantino estava em trágica posição na época da queda, após ter guerreado por mil anos com inimigos bárbaros de todos os lados. Os sessenta anos de governo latino em Constantinopla tinham minado seriamente suas bases; e as contínuas invasões turcas tinham dimunuido o Império por todos os lados reduzindo-o a um reino de humildes dimensões. Mohamed II, que era apelidado de "o conquistador," cercou a capital com um exército fanático de 250.000 homens, contra cerca de 7.000 soldados cristãos reunidos em torno do último Imperador Constantino Paleólogo. Constantino foi ousado o suficiente para dar uma digna resposta ao seu poderoso inimigo que pedia uma rendição pacífica da cidade: "Dar a cidade para ti não está em meu poder, nem no poder de nenhum homem que habita aqui; pois temos um acordo e todos nós preferimos morrer, e não pouparemos nossas vidas”.
As Últimas Horas de Constantinopla. Quando Constantino constatou que a destruição era inevitável, colocou a si e a sua cidade nas mãos de Deus e preparou-se para morrer como um mártir. Ele primeiro ordenou que uma “litania” deveria ser cantada através de toda a cidade. E bispos, padres, monges, homens, mulheres e crianças, todos se juntaram a procissão chorando e clamando: "Senhor, tem piedade e salva a Tua herança!" Então, Constantino dirigiu aos homens que estavam ao redor dele, comovedoras palavras, incentivando-os a enfrentar a morte com a coragem dos mártires; e todos clamavam: "Sim, morramos pela fé em Cristo e pela terra de nossos pais."
O Imperador foi para a igreja de Santa Sofia para tomar sua última comunhão; então, subindo ao portão de Romanus, começou a dirigir a desesperada defesa. Mas foi subitamente cercado pelo inimigo e morto. Logo depois, a cidade estava sendo saqueada. Os homens eram degolados, e as jovens eram levadas em cativeiro; os Vasos Sagrados eram usados como copos comuns para as selvagens orgias dos turcos vitoriosos; e o conquistador cavalgou arrogantemente para dentro da Catedral de Santa Sofia, e transformou-a numa mesquita muçulmana.
O Significado da Queda de Constantinopla. A queda de Constantinopla marcou o colapso do último baluarte do Cristianismo Oriental e sua civilização. Outras províncias rapidamente compartilharam seu destino; a Sérvia caiu em 1459, o Peloponeso em 1459, Trebizonda em 1461, Bósnia em 1463, Albânia em 1467 e Herzegovina em 1483.
Esse evento histórico teve grandes conseqüências e ensinou importantes lições. Abriu um poço de vida intelectual para a Europa, pois eruditos fugitivos de Constantinopla assentaram-se no Ocidente e semearam sementes da Renascença e da Reforma. E do ponto-de-vista religioso, a queda de Constantinopla causou uma forte manifestação de fervor religioso. Grande foi a queda deles, mas também grande sua esperança consoladora. No momento em que os turcos entraram na Catedral de Santa Sofia, (assim diz uma tradição popular largamente espalhada), a Divina Liturgia estava sendo celebrada, e os padres chocados em horror foram congelados como mármore em seus lugares. Mas um dia chegará quando a bela cidade será restituída ao Cristianismo; e então os padres de mármore terão vida novamente e terminarão sua Liturgia interrompida.
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domingo, 8 de setembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 08.



Sujeição dos Patriarcados ao Islã.
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O Islã como Poder Conquistador. A dominação dos maometanos trouxe desastrosas conseqüências e culminaram com a sujeição das antigas Igrejas do Oriente a mandatários de outra fé. Maomé morreu em 632, e seu trabalho, segundo seu próprio comando, foi continuado por seus sucessores, os califas. Provenientes da península arábica, nos anos seguintes à morte de Maomé em 632, eclodiu a tempestade das invasões islâmicas. Abu Bekr (632-634) conquistou Damasco; Omar (634-643) invadiu a Pérsia, completou a conquista da Síria e colocou sob sua sujeição a Palestina e o Egito; e Otman (643-665) finalmente dominou a Pérsia e conquistou quase todo Norte da Àfrica.
Depois deles, Muaviah sitiou Constantinopla por terra e mar por sete anos (672-678), e só foi impedido de capturá-la nessa época pelo valente Imperador de Bizâncio, Constantino Pogonatus, que queimou a frota islâmica por meio do "fogo líquido" inventado pelo engenheiro grego Callinicus.
Mas mesmo depois desse desastre os árabes rapidamente recuperaram seu zêlo vitorioso; e, em 711, estabelecidos nas praias do norte da África, se lançaram pelo estreito de Gibraltar para a Espanha e avançaram direto para a França, onde o bravo general Charles Martel, finalmente, derrotou-os na batalha de Poitiers, em 732, exatamente cem anos depois da morte de Maomé.
A Sujeição dos Patriarcados ao Islã. O Islamismo com todos os seus eventos reduziu severamente os contornos da Igreja do Oriente e privou-a de belas províncias; os famosos Patriarcados de Jerusalém, Antioquia e Alexandria, que caíram logo sob os árabes, perderam sua antiga glória e vitalidade. Durante o cerco de Jerusalém por Omar, Sofrônio, o prudente Patriarca, encabeçou uma delegação ao encontro do califa e entregou a cidade a ele em termos favoráveis evitando assim a sua destruição.
Omar recebeu-o generosamente, e permitiu aos Cristãos manter os seus templos sem serem molestados sob a única condição de pagarem o "haratsi" ou "imposto de capital." Mas na Síria e outros lugares o "haratsi" não foi considerado suficiente, e aqueles que não mudaram a sua fé foram forçados a se submeter a todo tipo de humilhação. Todas as pessoas que professassem uma religião diferente da islâmica eram obrigadas a pagar um imposto especial (a Jyzia); se não o pagassem, essas pessoas eram decapitadas. Em tempo de guerra, a Jizya era aumentada de tal forma que reduzia os não-maometanos à penúria e à miséria, e muitas vezes à condição de escravatura, salvo se se convertessem ao Islão. Esta era a “tolerância” islâmica.
Não lhes era permitido montar um cavalo; a construção de Igrejas, procissões públicas, toque de sinos, e colocação de cruz nos sepulcros, tudo isso era proibido; e eram impedidos de manter posições oficiais. Infelizmente a conquista Islâmica da Síria e Egito foi facilitada pelas grandes disputas religiosas no sétimo século, que estavam grassando nessas províncias nessa época. Nestorianos, Coptas e Jacobitas eram consumidos por tal ódio pelos Cristãos Ortodoxos da região, a quem eles chamavam de “Melquitas" ou "Realistas" (do Rei), que eles saudaram o advento do governo islâmico como uma libertação.
Nos países conquistados, o cristianismo foi desaparecendo lentamente, com exceção de comunidades que ainda hoje resistem, formando Igrejas estruturadas: os coptas no Egito e na Etiópia, os Maronitas no Líbano. No norte da África, terra de Agostinho, Cipriano, Tertuliano, glórias da Igreja, a extinção foi definitiva: no momento da conquista havia 40 bispos, em 1076 eram dois.
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