quarta-feira, 19 de março de 2014

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 19.


A Reforma na Alemanha com Martinho Lutero.
Continuação do post anterior.
A Alemanha do século XVI oferecia um terreno privilegiado para o desenvolvimento das ideias reformistas. Lá, a Igreja, grande proprietária de terras, distribuía bispados e abadias. Com suas taxas e coletas, arrecadava recursos abundantes. Os costumes do clero, bispos e curas, eram bastante depravados. Mais que em outros lugares, lá a imprensa difundira muitas edições da Bíblia e das obras dos humanistas.
Foi nessa situação que Lutero jovem estudante de Direito e humanista em Erfurt, entrou para o convento dos agostinianos em julho de 1505 para tornar-se verdadeiramente cristão.
Monge escrupuloso era perseguido pelo terror de não merecer a livre graça de Deus, tomado de medo da justiça divina. Mas a leitura incessante da Escritura acabou convencendo-o de que “a justiça de Deus significa a justiça que Deus dá e pela qual o justo vive, se tiver fé”. Descobriu que Deus, Pai de Jesus Cristo é Deus de amor. Por sua fé em Cristo Salvador, o cristão sabe que é, simultaneamente, “sempre pecador”, “sempre arrependido” e “sempre justo”. Ou melhor, que a fé em Jesus Cristo o justifica. Porque Deus, por seu Filho, manifesta sua confiança no homem; e a fé do justo é a acolhida dessa confiança. Foi essa convicção entusiasmada que deu a Lutero a coragem de opor-se, em nome dessa verdade escriturística, à autoridade eclesiástica.
O debate começou a propósito da questão das indulgências, em 1517. Para o término da construção da Basílica de São Pedro em Roma, o arcebispo de Maiença pôs a vender em toda a Alemanha “indulgências”, isto é, o livramento de uma penitência, aplicável também aos defuntos, ainda no purgatório. Os banqueiros de Augsburg, com os quais Alberto de Brandenburgo estava endividado, recolhiam os pagamentos. Os dominicanos, entre os quais João Tetzel foram encarregados da pregação das indulgências. Escandalizado, Martinho Lutero protestou junto às autoridades eclesiásticas. Denunciou do alto do púlpito, esse engano e por fim afixou na porta da igreja de Wittemberg, 95 proposições condenando as indulgências: “é só Deus que perdoa e salva”. Os estudantes se encarregavam de difundir as proposições.
Intimado a se retratar, Lutero apelou várias vezes ao papa, mas se recusou a apresentar-se em Roma. Depois da disputa de quatro dias com o legado papal e de dois escritos, Lutero foi excomungado pelo papa. Entrementes, Lutero redigiu e publicou os escritos que fundam a Reforma: “Da liberdade do cristão”, “A nobreza cristã da nação alemã” e “Prelúdio sobre o cativeiro babilônico da Igreja”, destinados ao clero.
Mais tarde para replicar a Erasmo, ele escreveu “Do servo arbítrio“, e contra os anabatistas, O dever das autoridades civis de se oporem aos anabatistas por castigos corporais; enfim, escreveu o Pequeno e o Grande Catecismo e a célebre Confissão de Augsburg.
        Continua no próximo post.

terça-feira, 4 de março de 2014

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 18.

 

O Protestantismo.
Continuação do post anterior.

O Protestantismo foi Protesto cristão, em nome do Evangelho, contra os escândalos de uma cristandade e de uma Igreja cujos comportamentos contradiziam os ensinamentos de Jesus. O nome protestante foi dado à Reforma só em 1529, quando seis príncipes e catorze cidadãos livres, na dieta de Speyer, levantaram solene protesto contra as exigências católicas.
Entre os seus precursores podemos incluir antepassados muito anteriores ao século XVI, como Pedro Valdo e sua confraria dos pobres de Lion, encarregados de difundir o Evangelho em língua popular. Os discípulos de Valdo, os valdenses, foram massacrados por ordem do imperador Francisco I, em 1545. Alguns remanescentes ainda sobrevivem nos Alpes.
Mais tarde, foi o papado que causou escândalo por seu luxo, pelo peso excessivo de seu fisco e por suas intervenções políticas e militares. Desde o século XIV, os excessos e a corrupção da Igreja Católica Romana provocaram em seu próprio meio críticas e pedidos de reformas. Os mais importantes foram os dos teólogos e clérigos Wyclif (1320-1384), professor da Universidade de Oxford, e John Huss (1370-1415), decano da Faculdade de Teologia de Praga.
Os dois se opuseram aos direitos e privilégios do clero. Puseram em questão principalmente o poder do papa e do clero de serem os únicos intérpretes da Escritura. Wyclif rejeitou o dogma da transubstanciação. Segundo a transubstanciação, a substância do pão e do vinho é mudada, de fato, na substância do corpo e do sangue de Cristo nas celebrações da ceia do Senhor. John Huss, depois de sua tradução da Bíblia para o tcheco, em seu tratado “Da Igreja”, distingue a instituição da igreja católica romana e a Igreja universal fundada por Jesus. Os dois foram declarados hereges, e John Huss, preso e torturado, morreu na fogueira em 6 de julho de 1415.
Simultaneamente, a difusão da Bíblia pela imprensa e o desenvolvimento do espírito crítico, graças ao humanismo, punham em evidência as contradições entre o Evangelho e a vida da Igreja. Em “Elogio da Loucura”, o humanista Erasmo de Roterdan, de forma irônica, opôs o comportamento dos papas Alexandre VI, o corrupto, de Júlio II, o guerreiro, e de Leão X, o mecenas, ao exemplo de Jesus.
Vários concílios reconheceram a necessidade de reformas e tentaram realizá-las. Em 1436, um cardeal, Juliano Cesarindo, proclamava a urgência de se reformar a Igreja no chefe e nos membros.
Exortações várias, reformas abortadas e condenações dos que protestavam, por heresias, só conseguiram mostrar melhor a situação intolerável da Igreja Católica Romana no século XVI e a necessidade indispensável de seu retorno imediato à simplicidade primitiva. A reforma que nasceria dessas reações, surgiu quase ao mesmo tempo em três lugares diferentes: na Alemanha, na Suíça e na França.
Continua no próximo post.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Os Grandes cismas do Cristianismo - 17.



Continuação do post anterior.
Relações da Ortodoxia com Protestantes e Anglicanos.
1. Missionários Protestantes na igreja Ortodoxa.
Pouco antes de o protestantismo começar a se rachar numa multidão de igrejinhas, devido à sua falta de unidade no dogma e no comando, e à livre interpretação das Escrituras, de acordo com o entendimento de cada um, que representantes dessas muitas igrejas protestantes, particularmente da América, começaram a visitar a Grécia, por volta de 1810; e outros chegaram logo depois da Revolução grega, com o objetivo de ajudar os gregos no seu despertar nacional e espiritual. Alguns deles abriram escolas, que eram a gritante necessidade daquele tempo, e outros distribuíram livros ou deram cópias das Sagradas Escrituras no texto original ou em traduções para o grego moderno.
Os gregos, no início, receberam isso sem suspeita como um presente dos seus benfeitores; e certos Patriarcas de Constantinopla, como Cirilo VI em 1814 e Gregório V em 1819, aplaudiram a propagação das Escrituras e louvaram as traduções para o grego popular como sendo de grande benefício para o povo. Mas quando os missionários protestantes começaram a revelar suas reais intenções de tentar conseguir conversões, e distribuir pequenos volumes ofensivos aos sentimentos ortodoxos, geraram a inimizade da nação e imediatamente tornaram-se impopulares, sendo suas Escrituras queimadas em fogueiras. Os gregos que haviam sofrido tanto pela preservação de sua fé, estavam agudamente sensíveis a qualquer ataque a ela. Eis aí o porquê de, depois de mais de um século de atividade na Grécia, o Protestantismo não conseguiu mais do que um punhado de "Evangélicos" em Atenas e outras localidades.
2. Anglicanos e Ortodoxos.
As relações entre as Igrejas Ortodoxas e Anglicanas são completamente diferentes, pois os anglicanos, somente eles entre os vários ramos do protestantismo, tanto reconhecem as três ordens do Sacerdócio como mais ou menos louvam a Sagrada Tradição. Como já notamos, relações foram estabelecidas entre Ortodoxos e Anglicanos primeiramente no tempo de Lucar. Foram renovadas no século dezoito, quando os non-jurors (a seção da Igreja Anglicana que se recusou a fazer o juramento de lealdade a George I da Inglaterra) submeteram aos Patriarcas do Oriente, um plano de união com as Igrejas do Oriente. Mas foi de 1869 em diante, que anglicanos e ortodoxos começaram a se aproximar, quando o Patriarca de Constantinopla Gregório VI, depois de receber com grande satisfação cartas de Campbell, Arcebispo de Canterbury, em favor da união, mandou uma carta encílica a seu clero, orientando-os a sepultar membros da Igreja Anglicana, na ausência de Ministros Anglicanos; e mandou o Arcebispo de Syra, Alexandre Lycurgos, para a Inglaterra, para fortalecer os elos entre as duas igrejas.
Desde então, bispos Anglicanos têm visitado as Igrejas do Oriente, como João de Salisbury em 1898, o Bispo de Londres no começo da Guerra Mundial, e o Arcebispo de Canterbury, Cosmo Lang, que foi bem-vindo em Atenas no último ano. Bispos da Grécia, Rússia, Sérvia e outros países, o Patriarca Photius de Alexandria e Damianos de Jerusalem, visitaram a Inglaterra em troca, e juntaram-se aos anglicanos em solenes orações na Catedral de São Paulo e na Abadia de Westminster. Um grande passo adiante na relação entre as duas igrejas foi dado no verão de 1930, quando quase todas as Igrejas Ortodoxas mandaram representantes para a Conferência de Lambeth, sob a liderança do Patriarca de Alexandria, Meletius Metaxakis, para discutir e levantar termos de união. Essa amizade entre anglicanismo e ortodoxia é devida ao reconhecimento pela Igreja Ortodoxa da validade das ordens anglicanas, que sempre foram questionadas pela Igreja de Roma; pela abstenção na Igreja Anglicana de esforços para converter Ortodoxos; e pela troca de cartas de paz em ocasiões cerimoniais.
As Igrejas Ortodoxa e Anglicana diferem entre si em pontos de dogma, e uma união sacramental entre elas é no momento uma possibilidade ainda remota. A diferença de crença, que caracteriza uma igreja, é incompatível com a uniformidade da fé, professada pela outra. Mas por mútuo interesse que elas têm, e pela natureza fraterna de suas relações externas, Anglicanismo e Ortodoxia estão seguindo o caminho que todas as igrejas separadas deveriam seguir para atingir a completa e universal unidade.
       Continua no próximo post.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 16.

Continuação do post anterior.
Ataques Papistas à Igreja do Oriente.
A Igreja Romana nunca deixou de sonhar com a sujeição da Igreja do Oriente, e nunca falhou em aproveitar qualquer desordem, independente de onde ocorrese, para levar vantagem. Saudando a queda de Constantinopla como uma punição divina infligida aos obstinados gregos, ela rapidamente mandou contra os Cristãos do Oriente seus formidáveis jesuítas, que, de 1583 em diante, começaram a aparecer sucessivamente em Constantinopla, Chios, Damasco, Naxos, Nauplion, Patras, Atenas e outros locais.
Como se isso não fosse suficiente, em 1581, o Papa Gregório XIII fundou o Colégio de Santo Atanásio em Roma, onde jovens gregos inteligentes escolhidos em distritos gregos foram levados para Roma para serem educados de acordo com os princípios católicos romanos, e depois enviados de volta, como um outro tipo de Janisários, contra a fé que os havia nutrido na infância. E mais, em 1622, o Papa Gregório XV instituiu sua "propaganda para os descrentes," cujo objetivo como descrito na Bula Papal era "a conversão das nações do Império Turco, uma vez gloriosas e dotadas com admiráveis dons divinos, que agora permanecem mergulhadas em uma situação embrutecida e, tendo caido para o nível de feras selvagens, só continuam a existir para aumentar as multidões do inferno, para maior glória de satã e seus anjos." Diplomacia e suborno, calúnia e coerção, persuasão e dissenção, — essas foram as várias armas empregadas pela despótica Igreja Romana em seus esforços para dominar seus irmãos necessitados.
A Primeira Carta Protestante.
Assim como o século onze viu a divisão da Igreja Una de Cristo na Igreja do Oriente e do Ocidente, o século dezesseis testemunhou a ruptura da Igreja do Ocidente em Igrejas Cetólica Romana e Protestante. A corrupção da fé e da moral que invadiu o romanismo, a decadência intelectual do clero romano, e o absolutismo do Papa, que usava uma tripla tiara para demonstrar seu domínio sobre os assuntos terrestres, celestes e infernais, — essas foram as causas que inspiraram os três grandes reformadores, Lutero, Calvino e Zwinglio, a protestar contra a Igreja de Roma, e a levantar contra ela metade da cristandade ocidental.
Completamente engajados em manter sua longa batalha com espada e pena, esses homens não tiveram tempo para pensar na escravizada igreja do oriente, que, muito antes deles, tinha levantado sua voz em protesto contra a arrogância de Roma. Um deles, no entanto, lembrou-se da ortodoxia; esse foi Melanchthon, um dos primeiros companheiros de Lutero, que ao encontrar Demetrius Mysos, que estava de partida para Constantinopla, em Wittenberg em 1559, confiou-lhe uma carta para o então Patriarca, Josaph II. Em sua carta ele agradece a Deus que no meio de tão grande multidão de inimigos ímpios e abomináveis, ele tivesse preservado para sí um rebanho que corretamente louva e clama por Seu Filho Jesus Cristo; e assegura ao Patriarca que os seguidores da Reforma também "devotamente observam as Sagradas Escrituras, os Canons dos Santos Concílios e os ensinamentos dos padres gregos, enquanto eles abominam a tagarelice, superstição e doutrinas desenvolvidas pelos latinos católicos incultos.
Continua no próximo post

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 15.

Ortodoxia na América.
Continuação do post anterior.


Igreja Grega - As fundações da primeira Igreja Ortodoxa Grega no Novo Mundo, foram lançadas no ano de 1866 em Nova Orleans. Na verdade isso foi quatro anos antes do efetivo começo da imigração para as Américas dos primeiros Cristãos Ortodoxos Gregos. Ainda antes dos primeiros povos imigrantes de 1870 porem os pés na nova terra, essa primeira pequena igreja existiu em Nova Orleans como resultado da esperança de alguns poucos mercadores gregos residentes nessa cidade. Os gregos tem um forte sentimento pela religião de seus antepassados e, com o tempo passando, com a imigração crescendo, as igrejas nasceram rapidamente em várias áreas das Américas. Nesse período a jurisdição dessas comunidades de Cristãos gregos veio a ficar com o Patriarcado Ecumênico de Constantinopla. Padres eram enviados da terra-mãe para as igrejas do novo mundo.
Março de 1908, o Patriarcado Ecumênico, encabeçado pelo Patriarca Joaquim III, transferiu a jurisdição espiritual das Igrejas Ortodoxas Gregas "no exterior" para o Santo Sínodo da Igreja da Grécia. Isto foi mantido pelos dez anos seguintes para muita desvantagem das comunidades na América — desvantagem porque não havia líder religioso presente, em solo americano, para providenciar a necessária organização numa área espalhada de muitas comunidades crescentes.
Felizmente, Meletios Metaxakis, Metropolita de Atenas, visitando os Estados Unidos em 1918, viu que a necessidade de um líder religioso era indispensável justo ali, não no país-mãe. Começou imediatamente a organizar as Igrejas Ortodoxas Gregas nas Américas estabelecendo o conclave sinódico em 20 de outubro de 1918, com o Bispo Alexander Rodostolou como Supervisor Sinódico.
O Metropolita de Atenas, Meletios voltou para a Grécia, mas regressou à América em três anos para continuar a organização da igreja. Isso era fevereiro de 1921. Enquanto ainda residindo na América, em 25 de novembro daquele ano, foi elevado ao posto de Patriarca Ecumênico de Constantinopla como Meletios IV. No mês de janeiro de 1922, ele chegou em Constantinopla.
Lá em sua nova posição, por um Ato Sinódico revogou o Decreto Patriarcal de 1908. Assim todas as comunidades gregas no exterior foram postas diretamente sob o Patriarcado Ecumênico e foram removidas da dependência do Santo Sínodo da Grécia. Em 11 de maio de 1922, ele declarou a Igreja da América uma Arquidiocese. Colocou o Bispo Alexander Rodostolou como Arcebispo das Américas do Norte e do Sul, com três Episcopados: — Boston, Chicago e São Francisco. Isso foi progresso. Existiram embaraços para agilizar o progresso entre 1922 e 1930. Durante esse período eventos políticos na Grécia dividiram os gregos na América. As comunidades tornaram-se divididas eclesiasticamente pois para um Cristão Ortodoxo, o âmago de sua vida é sua igreja. Felizmente, a necessidade de unidade religiosa e concordia foi conseguida a tempo. o recém eleito Patriarca de Constantinopla Photius II tomou o encargo da eliminação da discórdia.
O Metropolita de Corinto Damaskinos foi enviado para a América em maio de 1930 com o propósito de temporariamente governar as comunidades gregas na América e estabelecer a ordem. Durante o mesmo ano, o Arcebispo Alexander e os Bispos Philaretos de Chicago e Joaquim de Boston, partiram para a Grécia onde foram indicados como Metropolitas.
Em 20 de agosto desse mesmo importante ano, o Metropolita Athenagoras de Kerkyra foi eleito Arcebispo da América, chegando em Nova York em 24 de fevereiro de 1931. Dois dias depois, 26 de fevereiro foi entronado na Igreja de São Eleftherios em Nova York. Enquanto isso, o Metropolita Damaskinos tendo cumprido sua missão de restabelecer a ordem, voltou para casa.
Nos anos seguintes, existiram outras mudanças eclesiásticas. Em 1949 o Arcebispo Athenagoras havia servido como líder da Igreja Ortodoxa Grega na América por dezoito anos, um bem amado e importante batalhador pela fé. Ele deixou a posição ao ser indicado Patriarca de Constantinopla.
O Reverendíssimo Miguel, Metropolita de Corinto, veio nesse tempo servir como Arcebispo das Américas do Norte e do Sul, pois, no Santo Sínodo de 11 de outubro de 1949, ele havia sido eleito para essa função. Sob a jurisdição da Arquidiocese Grega das Américas do Norte e Sul, há o seguinte: todas as comunidades gregas nos Estados Unidos, Canadá, Ilhas Bahamas, Cuba, México, República do Panamá, Argentina, Brasil e Uruguai. As 357 comunidades estão agora bem organizadas e existem mais de 400 padres servindo a elas.
As comunidades sustentam escolas paroquiais, escolas dominicais e instalações da Greek Orthodox Youth of America (GOYA) ou Juventude Ortodoxa Grega na América. Três-quartos das comunidades tem escolas gregas à tarde, escolas dominicais, ensaios de coral e sociedades de senhoras caridosas. Mais da metade tem clube de jovens afiliados à GOYA e os Olympians (Organização Nacional dos Jovens Juniores da Arquidiocese Ortodoxa Grega). Existem também agora sete capelães Ortodoxos Orientais servindo nas forças armadas dos Estados Unidos e dois deles são Ortodoxos Gregos.
A Arquidiocese mantem o Seminário Teológico estabelecido em 1937 em Pomfret, Connecticut, e transferido para Brook-line, Massachussets,em 1946. No seminário, jovens americanos de linhagem greco-ortodoxa são treinados para o presbiterado ou para professores.
A Arquidiocese em 1944 estabeleceu a Academia de São Basílio em Garrison, Nova York. Ela tem dois ramos — uma para preparação de mulheres gregas para professoras e o outro uma escola pública para meninas muito novas de parentesco grego. Essa academia particularmente, está sob os cuidados da Sociedade Philoptocos de Senhoras Gregas.
A diminuta fundação da pequena igreja em Nova Orleans, construída por poucos esperançosos mercadores gregos, desenvolveu-se a Igreja Ortodoxa Grega da América, agora um membro tanto do Nacional quanto do Mundial Conselho de Igrejas de Cristo. Em agosto de 1954, o Arcebispo Miguel foi nomeado um dos seis co-presidentes do Conselho Mundial de Igrejas de Cristo. A fundação foi construída sobre a fé e esperança e mantem-se hoje em sólida verdade para um sempre crescente mundo Cristão.
Continua no próximo post.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 14.


Continuação do post anterior.
A Igreja da Grécia nos Tempos Modernos.

A Igreja da Grécia, que sofreu enormemente sob a dominação islâmica turca, entrou em um novo estágio de sua vida desde o dia em que a revolução grega recebeu a benção do clero grego; membros do clero se destacaram como líderes militares; e membros do clero sentaram no primeiro concílio nacional da Nova Grécia. Desde os tempos de Léo o Isauriano (714-741), a Igreja dessas regiões eram uma dependência do Patriarcado Ecumênico, de Constantinopla, ao qual estavam organicamente juntas. Mas os líderes da Revolução consideraram que sua independência política da Turquia não estaria completa se não fosse acompanhada pela emancipação eclesiástica. Daí, na Assembléia Geral de Nauplion em 1833, e na proclamação da constituição sob o Rei Otto em 1844, os representantes da nação declararam que, apesar da Igreja da Grécia permanecer unida com a Igreja de Constantinopla em questões de dogma, ela gozaria de completa autonomia em questões de governo.
Em grande parte eles estavam certos; pois os limites eclesiásticos sempre se conformaram aos limites políticos, e um país livre deve ter uma Igreja livre. Por um longo período o Patriarcado Ecumênico não concedeu. Ele via a propriedade da Igreja sendo quebrada ostensivamente para ser malbaratada pelos leigos. Ele temia que a separação administrativa da Igreja da Grécia pudesse ser tomada como um precedente por outros povos dos Balkans que não estavam ainda preparados para autogoverno; e ele estava particularmente apreensivo que os conselheiros protestantes do Rei Otto fossem introduzir no jovem estado da Grécia formas de governo contrárias aos princípios Ortodoxos. No fim, no entanto, ele cedeu, e emitiu em 1850 o Tomo Sinótico sobre a emancipação da Igreja da Grécia, declarando seu direito ao autogoverno. Nos anos que se seguiram a revolução, os limites da Igreja da Grécia, assim como os da própria nação estavam restritos. Mas em 1863, as Ilhas Iônicas foram unidas à Pátria-mãe; em 1878, Tessalônica e parte do Epirus; em 1913 a Macedônia do Sul, Creta e algumas Ilhas do Mar Egeu; e em 1922, a Trácia Ocidental. Como resultado desses vários aumentos no território nacional, os limites da Igreja da Grécia também foram aumentados, à custa da diminuição dos limites do Patriarcado Ecumênico, em cuja jurisdição essas áreas estiveram por séculos.
Hoje em dia, a Igreja da Grécia inclui cerca de oitenta Metrópoles das quais trinta e três pertenciam à Grécia pré-guerra, enquanto quarenta e sete foram acrescentadas depois da guerra. Ela é governada por um Sínodo duplo: o "Sínodo Periódico”, que se reúne uma vez por ano em Atenas e inclui todos os bispos, e o "Sínodo Permanente," que consiste de oito bispos e que trata dos assuntos do dia-a-dia. Ambos os sínodos são presididos pelo Arcebispo de Atenas, que também tem o título de "Arcebispo de Toda a Grécia”. A Igreja da Grécia enfrenta muitos problemas. Seus bispos são todos homens de educação erudita, e financeiramente independentes; mas seus padres com freqüência estão necessitados de melhor educação e meios financeiros. Escolas teológicas e clericais na verdade existem; mas como o presbiterado é um chamado quase sem pagamento, seus estudantes usualmente dirigem-se para outras profissões. O povo é ligado à fé Ortodoxa, a qual, no entanto, é continuamente minada por propaganda estrangeira; e apesar da Ortodoxia ser considerada a religião oficial do Estado da Grécia, os dirigentes do país assistem passivamente à má administração das propriedades eclesiásticas e mantém a Igreja em sujeição. Contra todos esses males, a Igreja da Grécia está trabalhando duplo. A posição do clero está melhorando gradualmente; sermões são procurados muito mais; a imprensa está crescendo; instituições de caridade estão sendo fundadas; e a vida religiosa está progredindo tanto na teoria quanto na prática.
Muitos pensam que os que falam grego são privilegiados, porque uma parte considerável das Escrituras Sagradas foi originalmente escrita na língua deles. O grego moderno, porém, é bastante diferente do grego usado na tradução Septuaginta das Escrituras Hebraicas e nas Escrituras Gregas Cristãs (Novo Testamento). Na realidade, durante os últimos seis séculos, para a maioria das pessoas que falam grego, o grego bíblico tem sido tão desconhecido como uma língua estrangeira. Termos antigos foram substituídos por palavras novas, e o vocabulário, a gramática e a sintaxe mudaram.
As traduções da Bíblia em grego popular tem sido condenadas, pela Igreja Grega e tem sido motivo de uma luta longa e árdua. Mas quem resistiria à produção duma Bíblia num grego fácil de entender? Por que alguém desejaria impedir isso? Muitos crêem que os líderes espirituais temem que, se o povo chegar a entender a Bíblia, isso exporia as crenças e os atos anti bíblicos dos clérigos. Mas, Neofitos Vamvas, um notável lingüista e famoso erudito bíblico, considerado como um dos “Instrutores da Nação” cria firmemente que, para despertar a espiritualidade do povo, era preciso traduzir a Bíblia para o grego falado na época. Em 1831, com a ajuda de outros eruditos, ele começou a traduzir a Bíblia para o grego literário. Sua tradução completa foi publicada em 1850. Visto que a Igreja Ortodoxa Grega não o apoiava, ele colaborou com a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira na publicação e distribuição da sua tradução. A igreja chamou-o de “protestante”, e ele logo se viu marginalizado.
Continua no próximo post

sábado, 30 de novembro de 2013

Os Grandes Cismas do Cristianismo - 13.

Continuação do post anterior.
Patriarcado de Chipre e da Rússia.
A Igreja de Chipre, como os quatro mais antigos Patriarcados, pode também proclamar sua grande antiguidade. Fundada no ano 45 pelos Apóstolos Paulo e Barnabé, ela garantiu o privilégio de autonomia no Terceiro Concílio Ecumênico, que proibiu o Arcebispo de Antioquia de interferir nos assuntos de Chipre. Infelizmente, em 1191, Ricardo Coração de Leão tomou posse da Ilha e vendeu-a para os Cavaleiros do Templo; e daí para frente os infelizes cipriotas, sob o jugo dos fanáticos Católico-Romanos Lusitanos, passaram por todo tipo de sofrimento pela manutenção de sua liberdade nacional e religiosa.
Não só os invasores templários transformaram a maioria deles em servos, como além disso o Papa impôs a eles um Arcebispo Romano, a quem os bispos Ortodoxos eram obrigados a jurar o compromisso de lealdade. Em 1231, na presença do português Pelágio, o representante do Papa Honório III, os Treze Santos Padres foram martirizados tendo sido condenados como heréticos por não aceitar as inovações da Igreja Romana. Eles foram primeiro amarrados a rabos de cavalos e arrastados sobre pedras e a seguir queimados junto com os animais, de modo a tornar impossível a coleta de seus ossos.
A ocupação veneziana da Ilha em 1489 foi simplesmente a substituição da velha tirania por uma nova; e a única faceta redentora da conquista turca que se seguiu em 1571 foi que ela jogou para fora da Ilha todos os intrusos romanos. O coroamento da ferocidade turca foi o estrangulamento em Nicósia do Arcebispo de Chipre, Cipriano, dos Metropolitas de Paphos, Kition e Kyrenia, e de outros cipriotas notáveis, pelo governador turco Kuchuk Mechmet, durante o primeiro ano da Revolução Grega (1821). Em 1878, Chipre foi tomada pela Grã-Bretanha, de onde havia vindo o seu primeiro conquistador, Ricardo Coração de Leão.
Outras Igrejas Ortodoxas.
A Igreja Ortodoxa Oriental e Apostólica que engloba um total de duzentos e cinqüenta milhões de almas no mundo de hoje, não é representada somente pelos quatro mais antigos Patriarcados e pela Igreja Grega Ortodoxa de Chipre. Ela é também representada por várias igrejas locais e independentes, nomeadamente, as Igrejas da Rússia, Grécia, Sérvia, Romênia, Bulgária, Síria, Polônia e Geórgia, junto com as Igrejas autônomas da Finlândia, Checoslováquia, Estônia e América; e as Igrejas da Diáspora na Europa. Nem devemos nos esquecer dos Ortodoxos Gregos da Dodekanesia e da Albânia. É impossível no presente trabalho, tratar da história de todas essas igrejas. Alguma coisa, no entanto, deve ser dita sobre as cinco importantes dentre elas.
A Igreja da Rússia nos Tempos Modernos - A Igreja da Rússia sempre subordinou-se ao Patriarca de Constantinopla, de quem ela recebeu o Cristianismo em 1229. Em 1588 o Patriarca de Constantinopla, Jeremias II, proclamou essa filha crescida de sua Igreja, independente, e reconheceu o Metropolita de Moscou como o quinto Patriarca da Igreja do Oriente. Com Catarina II os Tsares que a sucederam, a Igreja Russa gozou da posse de quatro Academias Teológicas muito importantes e de numerosos seminários e conseguiu cumprir suas obrigações para com seus membros, como também sustentar florescentes missões entre os israelitas, tártaros e japoneses. Infelizmente, desde a primeira guerra mundial, todas essas promissoras esperanças foram cortadas pelos bolchevistas, que depois de derrubar o Trono Tsarista, pensam que são capazes de derrubar o Trono de Deus. O ateísmo passou a ser o culto oficial da Rússia Soviética. Cristãos são perseguidos. Igrejas construídas magnificamente foram transformadas em clubes, salas de música, cinemas e teatros. Ícones de inimitável beleza, pintados por Publioff ou Stroganoff, que viveram nos séculos quinze e dezessete respectivamente, foram vendidos para o exterior ou publicamente queimados nas praças. Aqueles que permaneceram devotos, e que ainda estão ligados aos modos de vida de seus pais, foram para o exílio, enquanto muitos outros ou foram mortos ou estão desfalecendo nas prisões. Somente nos anos de 1918 a 1920 vinte e seis bispos e seis mil, setecentos e cinqüenta padres foram martirizados pelos bolchevistas. "Religião e Comunismo" — diz Bukharim — "conflitam um com o outro tanto em teoria como na prática... guerra até a morte contra qualquer forma de religião!
Alexis II, foi o homem que restaurou a influência da Igreja Ortodoxa russa após a queda do regime comunista. O patriarca Alexis, contribuiu para a reunificação histórica da sua Igreja com a ortodoxia russa no estrangeiro em Maio de 2007, pondo fim a 80 anos de um cisma que datava desde a revolução bolchevique de 1917. Eleito em 1990 para o cargo, pediu desde o início ao Governo que reintroduzisse o ensino da religião nas escolas. Alexis II, falecido recentemente, era uma pessoa conciliadora e disciplinada, tendo reabilitado vários santos e mártires perseguidos pelo regime comunista. Depois da queda do comunismo, em 1989, o Patriarcado russo – que lidera a maior Igreja Ortodoxa, em número de fiéis – apareceu sempre a querer afirmar-se como o mais importante dentro da ortodoxia.
Continua no próximo post.