sábado, 10 de setembro de 2016

A Doutrina de Deus - 05.


Continuação do post anterior.

Apesar da palavra Trindade não ser encontrada em parte alguma da Bíblia, a doutrina da Trindade é revelada tanto no Antigo quanto no Novo Testamento. Examinemos algumas das evidências que achamos nas Escrituras:
O Antigo Testamento foi escrito na língua hebraica. Em hebraico um dos nomes dados a Deus, Elohim, está no plural. Por exemplo, em Gênesis 1.26: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” Esse versículo frisa distinções pessoais existentes em Deus, a pluralidade de pessoas na deidade. Encontramos indicações ainda mais claras sobre distinções pessoais, nas Escrituras do Antigo Testamento, quando há alusão ao Anjo do Senhor. Em algumas ocasiões o Anjo do Senhor pode referir-se a um ser criado, enviado como mensageiro de Deus; mas, em outros casos, Ele é o próprio Filho de Deus (Veja Gênesis 16.7-13; !8.1-21; 19.1-28). Como tal, esse Anjo deve ser identificado como o próprio Jeová, mas por outro lado, Ele é visto como Alguém separado ou diferente de Jeová.
Algumas vezes, no Antigo Testamento, mais de uma Pessoa é mencionada (Ver Salmo 45.6,7: “O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amas a justiça e odeias a iniqüidade; por isso, Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros.” - RA. Compare com Hebreus 1.8,9). Noutras oportunidades, Deus aparece claramente com Aquele que fala, mencionando tanto o Messias (o Filho), e também o Espírito Santo. Veja Isaías 48.16: “Chegai-vos a mim e ouvi isto: não falei em segredo desde o princípio; desde o tempo em que isso vem acontecendo, tenho estado lá. Agora, o SENHOR Deus me enviou a mim e o seu Espírito.” - RA; Isaías 61.1: “ O Espírito do SENHOR Deus está sobre mim, porque o SENHOR me ungiu para pregar boas-novas aos quebrantados, enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a pôr em liberdade os algemados;” - RA; e Isaías 63.8-10: “ Porque ele dizia: Certamente, eles são meu povo, filhos que não mentirão; e se lhes tornou o seu Salvador. Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o Anjo da sua presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu, os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade. Mas eles foram rebeldes e contristaram o seu Espírito Santo, pelo que se lhes tornou em inimigo e ele mesmo pelejou contra eles.” - RA.
O Novo Testamento oferece uma clara revelação de Deus ao enviar o Filho ao mundo. Veja João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” – RA. Gálatas 4.4: “vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,” - RA; e 1 João 4.9: “ Nisto se manifestou o amor de Deus em nós: em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo, para vivermos por meio dele.” - RA.
Também é ali revelado que tanto o Pai quanto o Filho enviariam o Espírito Santo. Veja João 14.26: “mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito.” - RA; João 15.26: “ Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim;” - RA; e João 16.7: “ Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei.” - RA.
No Novo Testamento também podemos observar que o Pai fala ao Filho. Veja Marcos 1.11: “Então, foi ouvida uma voz dos céus: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” - RA; e Lucas 3.22: “ e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu-se uma voz do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.” - RA. O Filho comunga com o Pai. Veja Mateus 11.25,26: “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” - RA. João 11.41: “Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste.” - RA; João 12.27,28: “Agora, está angustiada a minha alma, e que direi eu? Pai, salva-me desta hora? Mas precisamente com este propósito vim para esta hora.  Pai, glorifica o teu nome. Então, veio uma voz do céu: Eu já o glorifiquei e ainda o glorificarei.” - RA.
E o Espírito Santo ora a Deus no coração dos crentes. Veja Romanos 8.26,27: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis.  E aquele que sonda os corações sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele intercede pelos santos.” - RA. No Novo Testamento, portanto, são claramente expostas diante de nós as pessoas da Trindade, distintas umas das outras.

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sábado, 13 de agosto de 2016

A Doutrina de Deus ´04.


Continuação do post anterior.
A Simplicidade de Deus.
Em adição à singularidade, à unidade numérica, a unidade de Deus refere-se à unidade interna do Ser Divino. Com freqüência, esse aspecto da unidade tem o nome de simplicidade. Por simplicidade entendemos o estado de ser isento de divisão em partes. Deus é espírito, e, como tal, não pode ser dividido. Em contraste o ser humano é um ser composto: o homem tem uma porção material (o corpo) e uma porção imaterial (o espírito).
Tudo quanto diz respeito a Deus é perfeito. Em outras palavras, todas as características de Deus compõem as Suas perfeições. O conceito de unidade interior ou simplicidade deriva-se de outras perfeições de Deus. Para exemplificar, a existência de Deus não depende de algo fora dEle mesmo. Ele é auto-existente, o que significa que a existência eterna faz parte de Sua própria natureza. Assim, a Sua auto-existência exclui a idéia de que algo antecedeu a Deus, como se dá no caso dos seres compostos como o homem. A simplicidade de Deus, pois, deixa subentendido que as três Pessoas da deidade não são apenas um certo números de partes que se completam, formando a essência divina. Também fica excluída a possibilidade de separar as perfeições de Deus de Sua essência, ou de adicionar as Suas características à Sua essência. A essência de Deus e as Suas perfeições são uma só e a mesma coisa. Assim, as Escrituras referem-se a Deus como luz e vida, como justiça e amor; e, dessa maneira, identificam-nO com as Suas perfeições. Em outras palavras, não podemos dizer que Deus tem justiça, mas dizemos que Deus é justiça. Ele é a perfeição!
Deus é Triuno.
Já vimos que Deus é espírito, que Ele é pessoal e que Ele é uno. Agora consideraremos um quarto aspecto de Sua natureza: o aspecto da Trindade. Deus é triuno. Isso poderá parecer confuso a você. Como é que Deus pode ser, ao mesmo tempo, uno e triuno? As palavras triuno e trindade contêm os conceitos de unidade ou de três (tri)e de unidade de ser, isto é, três em um. Quando abordamos esse importante assunto, reconhecemos que essa verdade só pode ser conhecida através da revelação. Assim passaremos a examinar aquilo que Deus revelou nas Escrituras, como a base do nosso estudo, mediante as perguntas abaixo, acerca da Trindade.
1. No que consiste a Trindade? Conforme já vimos, só existe uma essência do Ser divino. Porém, esse único Ser divino é tri-pessoal, ou seja, é uma Trindade. Nele há três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. Os estudiosos que têm procurado descrever com exatidão essas distinções na deidade utilizam-se de diferentes termos. A variedade de termos que eles empregam sugerem quão difícil é descrever a Trindade. Já tivemos ocasião de definir a palavra pessoa. Uma pessoa é alguém que sabe, sente e resolve.
A experiência ensina-nos que onde existe alguma pessoa, ali existe uma essência distinta. Assim cada indivíduo é um indivíduo distinto e separado que expressa, em si mesmo, a natureza humana. Entretanto, no Deus Triuno não existem três indivíduos separados, existentes lado a lado e distintos uns dos outros. Antes, há somente aquilo que poderíamos designar de auto-distinções dentro da Essência Divina.
2. Quem são essas Pessoas? Conforme já observamos, existem três pessoas ou subsistências na Essência Divina; o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma dessas pessoas é conhecida por ter diferentes propriedades (qualidades ou tendências pertencentes a algum indivíduo, que lhe são especialmente peculiares). Nas Escrituras, essas propriedades fazem-se conhecidas por títulos, pronomes, qualidades e atividades que são próprias das pessoas inteligentes, capazes de raciocinar e distintas. Essas propriedades pessoais distinguem cada uma dessas Pessoas (elas são auto-distinção) e exprimem a relação que cada uma delas mantém com as demais. Além disso, cada uma dessas Pessoas exprime em si mesma, a Essência Divina.

Logo, há três pessoas na deidade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Elas são todas de uma mesma substância; elas são iguais em glória, poder, majestade e eternidade; e são uma só.
Continua no próximo post.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

A Doutrina de Deus - 03.


Continuação do post anterior.
Continuação de Deus é espírito.
Talvez você esteja pensando: ”Se Deus é imaterial, por que razão, então, a Bíblia fala sobre as mãos, os pés, os ouvidos, a boca, o nariz ou a face de Deus? Por que existem passagens bíblicas que falam como se Deus estivesse fazendo alguma coisa que um ser humano também faria?” Para exemplificar, o Salmo 98.1 refere-se a “sua mão direita e seu braço santo”; o Salmo 99.5 fala de alguém a adorá-lo “diante do estrado de seus pés”; e Salmo 91.4 refere-se a “suas penas” e “suas asas”.
Visto que é muito difícil para nós realmente compreendermos a essência divina, Ele impulsionou os escritores sagrados a usarem objetos que nos são familiares, aplicando algumas características dos mesmos a Deus. Dessa forma, obtemos alguma compreensão do desconhecido através do que é conhecido. Quando esse tipo de linguagem é empregado, chamamo-lo de linguagem figurada. Nesse caso a idéia não deve ser entendida literalmente, como se fora um fato, mas apenas como símbolo que representa algum conceito.
Quando lemos nas Escrituras que Deus é espírito, compreendemos que; 1. Ele não tem um corpo físico; 2. Deus não tem corpo em forma física, mas é perfeitamente capaz de revelar-se através de alguma forma física; e 3. As referências bíblicas que mostram Deus fazendo algo que os homens também fariam, usam uma linguagem figurada.
Deus é Uno.
Quando dizemos que Deus é uno, referimo-nos a três conceitos: 1. A unidade numérica de Deus; 2. A singularidade de Deus; e 3. A simplicidade de Deus.
A unidade numérica de Deus.
Quando falamos sobre a unidade de Deus, referimos-nos ao fato que, numericamente, Ele é um único Ser. Visto que só existe um Ser divino, todos os demais seres existem por meio dEle, dEle e para Ele. Paulo ensina em 1 Coríntios 8.6: “... todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por Ele”. A segunda parte desse versículo talvez pareça contradizer o conceito que diz que Deus, numericamente, é um só. Isso será explicado mais adiante, quando estivermos falando sobre a Trindade.
Salomão refere-se a unidade numérica de Deus em 1 Reis 8.60 quando diz: “... para que todos os povos da terra saibam que o Senhor é Deus, e que não há outro”. Cercado por todos os lados por nações que ofereciam uma grande variedade de divindades a serem escolhidas, algumas vezes o povo de Israel achou difícil guardar a idéia que o Ser divino é uno. Com freqüência e correndo grande risco pessoal, os profetas clamaram ao povo, para lembrarem que Jeová é um único Deus (Deuteronômio 4.35-39).
A crença de que existem muitos deuses faz parte da sociedade em que você vive? Você conhece algum ensinamento acerca desses supostos deuses e do seu relacionamento com as pessoas? Observamos que, em alguns países, as pessoas adoram a muitos deuses, ou então àquilo que eles consideram deuses. Algumas vezes parecem existir deuses na cultura de cada grupo racial e em cada setor de suas vidas, de tal maneira que há grande pluralidade de deuses. Porém, a Bíblia ensina a singularidade de Deus; só pode existir um Deus.
A Singularidade de Deus.
Outros versículos da Bíblia, como o de Deuteronômio 6.4, referem-se a singularidade de Deus: “Ouve, ó Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. A palavra aqui traduzida por único, no hebraico significa uma unidade. Um cacho de uvas é uma unidade com muitas uvas, pois é um só cacho. Assim, somente Jeová é o verdadeiro Deus, digno de ser chamado Jeová. Essa é a mensagem de Zacarias 14.9: “... naquele dia um só será o Senhor, e um será o seu nome”. Essa mesma idéia é expressa com grande clareza em Êxodo 15.11: “Ó Senhor, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu glorificado em santidade, terrível em louvores, obrando maravilhas?” Naturalmente, a resposta é que não existe outro Deus que se compare com Ele. Ele é Deus único.
Esses versículos certamente rejeitam a possibilidade de que Deus seja apenas um dentre muitos deuses. Ele é o soberano que governa o universo; e, além dEle, não existe outro Deus. Por todo o registro do Antigo Testamento, Deus relembra Seu povo de que Ele é o único Deus.
Uma definição muito usada de Deus começa dizendo algo como: “Deus é um espírito eterno, que criou os céus e a terra”. Sem importar que substantivo se use para definir a Deus, quase sempre há um artigo indefinido diante do mesmo: “Deus é um espírito...” Isso dá a idéia de que podem existir outros espíritos de igual importância. Mas, vejamos quão diferente torna-se a definição quando é usado o artigo definido, em lugar do indefinido: “Deus é o espírito eterno que criou os céus e a terra”. Esta é a definição correta, porquanto nenhuma outra pessoas ou ser, pode ajustar-se dentro dessa categoria. Deus é o único Deus.

Continua no próximo post.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Doutrina de Deus - 02.



Deus é Espírito.
Em que você pensa, quando fecha os olhos e procura imaginar como é Deus? Se em sua mente forma-se uma espécie de imagem, então a sua maneira de pensar não corresponde inteiramente àquilo que as Escrituras ensinam. Deus não tem forma alguma, porque Ele é Espírito. Veja João 4.24: “Deus é Espírito, e por isso os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade - NTLH. E um espírito é invisível. Veja João 1.18: “Ninguém nunca viu Deus...”
Para entendermos bem essa declaração, teremos de considerar o que é um espírito. O que está envolvido na espiritualidade, ou seja, na qualidade de ser espírito? Esse não é um conceito fácil de explicar. Segundo já dissemos, a Bíblia oferece-nos um desvendamento parcial da natureza de Deus. Quando nos esforçamos para descrever a natureza espiritual de Deus, talvez empreguemos termos que lhe são desconhecidos. Faremos um esforço de definir cada um desses vocábulos a maneira que eles forem surgindo.
Nossa pesquisa nas Escrituras revela-nos, antes de tudo, que Deus é dotado de um Ser singular, cuja substância é distinta de tudo quanto existe no mundo. Veja os versículos: Efésios 4.6: “E há somente um Deus e Pai de todos, que é o Senhor de todos, que age por meio de todos e está em todos.” – NTLH; Colossences 1.15-17: “Ele, o primeiro Filho, é a revelação visível do Deus invisível; ele é superior a todas as coisas criadas. Pois, por meio dele, Deus criou tudo, no céu e na terra, tanto o que se vê como o que não se vê, inclusive todos os poderes espirituais, as forças, os governos e as autoridades. Por meio dele e para Ele, Deus criou todo o Universo. Antes de tudo, ele já existia, e, por estarem unidas com Ele, todas as coisas são conservadas em ordem e harmonia”.
Ser singular significa não haver outro igual. A substância aponta para a natureza essencial. Os termos substância e essência são muito parecidos, quando usados a respeito de Deus. Refere-se a todas as qualidades ou atributos que compõem a natureza de Deus e que são a base de todas as Suas manifestações externas.
Esse ser substancial que é Deus é invisível, imaterial e não se compõe de partes. Deus tem substância, mas Ele não é uma substância material, ou seja, Ele não se compõe de matéria, conforme acontece conosco. Antes, Deus é uma substância espiritual. Veja Lucas 24.39: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho.” - RA.
Visto que Deus é espírito, no sentido mais puro da palavra, também não tem aquelas limitações que nos ocorrem à mente, quando pensamos em algum ser humano. Deus não tem quaisquer das propriedades ou características que pertencem à matéria. Paulo descreve Deus como: “Ao Rei eterno, imortal e invisível, o único Deus—a ele sejam dadas a honra e a glória, para todo o sempre! Amém!” (1 Timóteo 1.17 NTLH), e também como “ Quando chegar o tempo certo, Deus fará com que isso aconteça, o mesmo Deus que é o bendito e único Rei, o Rei dos reis e o Senhor dos senhores, o único que é imortal. Ele vive na luz, e ninguém pode chegar perto dela. Ninguém nunca o viu, nem poderá ver. A Ele pertence a honra e o poder eterno! Amém!” (1 Timóteo 6:15-16 NTLH).
Ora, se Deus realmente é um espírito invisível, então como podemos entender as instâncias existentes na Bíblia, como aquela descrita em Êxodo 33.19-23, onde somos informados que Moisés viu a Deus? Na verdade, não temos ali qualquer contradição com o fato que Deus é invisível e imaterial. Em algumas dessas ocasiões homens viram os reflexos da gloria de Deus, mas não viram a Sua essência propriamente dita. Outras ocasiões revelam que um espírito pode manifestar-se sob formas visíveis. Deus é perfeitamente capaz de revelar-se por intermédio de alguma manifestação física. Isso aconteceu, por exemplo, quando o Espírito Santo pairou sobre Jesus como uma pomba, quando Ele acabara de ser batizado nas águas. Veja João 1.32-34: “João continuou: - Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e parar sobre ele. Eu não sabia quem ele era, mas Deus, que me mandou batizar com água, me disse: “Você vai ver o Espírito descer e parar sobre um homem. Esse é quem batiza com o Espírito Santo.” E eu vi isso e por esse motivo tenho declarado que ele é o Filho de Deus.” - NTLH.

Quando João Batista viu esse sinal visível, ficou persuadido de que Jesus era, realmente, o Filho de Deus. Desse modo, o Espírito invisível de Deus revelou-se na forma de uma ave, a fim de que João Batista pudesse saber, com certeza, a identidade dAquele (Jesus) que batizava com o Espírito Santo. No exemplo de Êxodo 33, Moisés também precisava ter absoluta certeza de que Deus é quem lhe estava dando a tarefa de ser líder. E por esse motivo, Deus lhe conferiu um sinal físico.

segunda-feira, 21 de março de 2016

A Doutrina de Deus - 01.


Sua natureza e Suas características naturais.
À antiga indagação: “Porventura, desvendarás os arcanos de Deus ou penetrarás até à perfeição do Todo-Poderoso?” (Jó 11:7 RA), podemos responder com um “Não!” O grande problema que enfrentamos em nossos esforços de compreender a Deus, é que o homem finito não pode compreender o Ser Infinito!
Exceto a revelação que temos sobre a natureza e os atributos ou características de Deus, não dispomos de meios para conhecer o Ser de Deus. Somente aquilo que Ele mesmo revelou acerca de Sua natureza e de Seus atributos nos confere algum conhecimento sobre o Seu Ser divino. Portanto, aquilo que Ele revelou sobre Si mesmo é apenas um desvendamento parcial, embora exato, do Seu Ser.
Também podemos conhecer a Deus quando Ele entra em relacionamento pessoal conosco. Obtemos conhecimentos sobre Ele, ao estudarmos sobre Sua natureza e características, porquanto estas revelam aspectos diversos do Seu Ser. A fim de obtermos um conhecimento completamente fidedigno da natureza e das características divinas, precisamos começar estudando a revelação de Deus sobre Si mesmo nas Sagradas Escrituras. Apesar de podermos obter um certo conhecimento geral de Deus, quando contemplamos as Suas obras na natureza, precisamos voltar-nos para a Palavra escrita, se quisermos receber entendimento sobre a Sua natureza e as Suas características.
Enquanto estivermos estudando sobre o nosso Criador, você poderá apreciar mais plenamente que foi o interesse Dele por você que O levou à progressiva auto-revelação através dos séculos. Essa auto-revelação atingiu seu ponto culminante quando Ele, finalmente, falou pelo Seu Filho (Veja Hebreus 1.2: “nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.” - RA).
A natureza de Deus.
À medida que os cientistas foram estudando a composição do sangue humano, foram descobrindo que o mesmo se compõe de diferentes sustâncias e de minúsculas partículas que têm diversas funções na manutenção da vida biológica. Esse líquido tão complexo é bombeado através de uma intrincada rede de condutos, noite e dia, por meio de uma máquina muito resistente, o coração, que repousa após cada movimento completo. O sangue é a corrente vital do corpo humano. Leva oxigênio e nutrientes a todas as partes do organismo, combate os germes que, porventura, invadam o corpo e ajuda o corpo a livrar-se de seus resíduos inúteis. Portanto, torna-se necessária a coordenação dos pulmões, dos rins, dos intestinos e de outros órgãos, em adição ao coração.
Esse é apenas um dos muitos exemplos de sistemas biológicos altamente organizados, que possibilitam a vida. Não há por que duvidar que foi preciso um Ser de grande poder e inteligência para produzir essas maravilhas. O que sabemos a respeito desse Ser? Consideremos alguns fatos que sabemos sobre Deus o nosso Criador.
Deus é um Ser pessoal.
Quais são as partes essenciais do corpo de uma pessoa? Os braços? A voz? Os olhos? Se um indivíduo vier a perder algum desses membros, ainda assim continuará sendo uma pessoa. Podemos concordar que uma pessoa é algo que não se restringe ao corpo. Uma pessoa é alguém dotado da capacidade de pensar, de sentir e de tomar resoluções. Embora Deus não tenha um corpo físico, certamente têm inteligência e também a capacidade de sentir, de pensar e de raciocinar. A Bíblia nos revela que Ele se comunica com outros seres (Veja Salmo 25.14: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará a conhecer a sua aliança.” - RA) e que é afetado pelas reações deles a Ele (Veja Isaías 1.14: “ As vossas Festas da Lua Nova e as vossas solenidades, a minha alma as aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer.” - RA). Deus pensa (Veja Isaías 55.8: “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o SENHOR,” - RA) e toma decisões (Veja Gênesis 2.18: “ Disse mais o SENHOR Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea.” - RA). Todas essas são características de um ser pessoal. Logo Deus é um Ser pessoal.
Podemos aprender certos detalhes acerca da personalidade de Deus, quando consideramos a personalidade do homem, visto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus. Naturalmente, essa abordagem tem limitações, pois não devemos imaginar que a personalidade humana seja o padrão pelo qual devemos medir a personalidade de Deus. Isso porque o modelo original da personalidade encontra-se em Deus, e não no homem. A personalidade humana é apenas uma cópia do original, isto é, a humana não é idêntica a de Deus. Assim, aquilo que aparece na personalidade humana com imperfeições, existe de modo perfeito na pessoa de Deus.
Se você tivesse um conhecido que nunca permitisse saber como ele se sente, nunca compartilhasse de seus pensamentos e nunca demonstrasse qualquer interesse consigo, você poderia dizer que ele é impessoal. Em outras palavras ele não expressaria para você as características próprias de uma personalidade. Deus, porém, não age assim. Ele está interessado em você. Ele tem sentimentos acerca das pessoas e Ele comunga ou tem companheirismo para com elas. Outrossim, Deus toma decisões acerca das pessoas.
Muitas pessoas acreditam que o Ser supremo, que criou esse mundo, distanciou-se das questões humanas. Elas acreditam que os espíritos dos antepassados ou da natureza têm muito mais a ver diariamente com as pessoas do que Deus. Naturalmente isto constitui um equivoco – Deus interessa-se pelas questões humanas e relaciona-se conosco de maneira pessoal.

Continua no próximo post.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A Inquisição 05.


Continuação do post anterior.
Na Provença, a inquisição varreu os Cátaros  da face da terra. Os cátaros abraçavam um extremo ascetismo e espalharam sua doutrina por boa parte do continente durante os séculos XII e XIII, eles acreditavam que o mundo físico estava impregnado pelo mal e tinha Satã como seu rei. De acordo com essa lógica, a Igreja Católica era também um instrumento do demônio e abomináveis eram todos os seus sacramentos. Muitos nobres abraçaram a sua fé, arrebanharam um número enorme de seguidores no sul da França, seus adeptos tornaram-se conhecidos como Albigenses (Albi – Provença). A sua importância crescente tornou-se um insulto intolerável para o poderio da Igreja Católica, então a igreja decidiu apelar para a força.
E logo estendeu seu braço para outras partes da França, depois da Itália e da Alemanha. Na Espanha foi estabelecida sua própria inquisição, utilizando os mesmo métodos brutais para perseguir mouros, judeus, heréticos e qualquer grupo suspeito de prática de feitiçaria.
Assim teve início a verdadeira “arte de matar”, onde o palco era a fogueira, os acessórios eram os instrumentos de torturas e os figurantes eram o povo suprimido que não tinham a quem recorrer ou pedir proteção, porquê o Deus que até então tinham conhecimento era o mesmo Deus que a Igreja utilizava-se para comandar a “morte”.Guerra Santa
Quando a carnificina atingiu o auge nos domínios germânicos, em meados de 1600, povoados inteiros eram dizimados de uma só vez. Segundo alguns relatos, o inquisidor da Saxônia, Benedict Carpzov assinou pessoalmente nada mais nada menos do que 20 mil penas de morte.
Contudo, grande parte dos documentos desses tribunais se perdeu e o número verdadeiro de todos esses assassinatos jurídicos nunca será revelado. De qualquer modo, tratou-se de uma experiência sombria, horrível e vergonhosa para a civilização e para o cristianismo.

1229 - Concílio de Toulouse: Igreja Católica proíbe aos leigos a leitura da Bíblia e reafirma a Inquisição
Em 1229, o Concílio de Toulouse (França), o mesmo que criou a diabólica Inquisição, determinou: ‘Proibimos aos leigos de possuírem o Velho e o Novo Testamento...Proibimos ainda mais severamente que estes livros sejam possuídos no vernáculo popular. As casas mais humildes lugares de esconderijo, e mesmo os retiros subterrâneos de homens condenados por possuírem as Escrituras devem ser inteiramente destruídos. Tais homens devem ser perseguidos e caçados nas florestas e cavernas, e qualquer que os abrigar será severamente punido.’ (Concil. Tolosanum, Papa Gregório IX, Anno Chr. 1229, Canons  14:2). Foi este mesmo Concílio que decretou a Cruzada contra os albigenses. Em ‘Act of Inquisition, Philip Van Limborch, History of Inquisition, cap. 8’, temos a seguinte declaração conciliar: ‘Essa peste (a Bíblia) assumiu tal extensão, que algumas pessoas indicaram sacerdotes por si próprias, e mesmo alguns evangélicos que distorcem e destruíram a verdade do evangelho e fizeram um evangelhos para os seus próprios propósitos...eles sabem que a explanação da Bíblia é absolutamente proibida aos membros leigos’.”
Fonte: Bíblia World Net (2002) http://www.uol.com.br/bibliaworld/igreja/estudos/inqu001.htm


quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

A Inquisição - 04.

A INQUISIÇÃO - 04.
Continuação do post anterior.
O Juiz Heinrich Von Schulteis de Rhineland do século XVII, considerava a tortura agradável aos olhos de Deus. Ele chegou a cortar os pés de uma mulher e despejar óleo quente nas feridas abertas.
Agora, que opções tinham os réus? Pois eram torturados se necessário até a morte para confessar qualquer absurdo, e quando confessavam eram queimados vivos ou teriam a cabeça decepada entre outras formas brutais e malignas de se tirar uma vida.
Quanto ao réu não saber quem o acusou e acusou-o de que, isso era extremamente interessante para a igreja, porquê dessa maneira a igreja pegava qualquer pessoa que tivesse posses e a acusava de qualquer coisa, assim sendo, a pessoa seria condenada e todos os seus bens confiscados pela “Santa Igreja”. Falsas acusações, indulgências, pilhagens, saques tornaram a Igreja um Império Poderoso, tanto político quanto “espiritual”: o Vaticano um país dentro do território de outro país.
A arrogância clerical e os abusos de uma igreja corrupta se tornavam cada vez mais insuportáveis. No início do século XIII, o próprio Papa afirmava que os seus respeitados sacerdotes eram “piores que animais refocilando-se em seu próprio excremento”.
Pescadores de dinheiro e não de almas”, com mil fraudes para esvaziar os bolsos dos pobres, assim eram descritos os bispos da época. De acordo com o legado papal na Alemanha, eles reclamavam de que o clero em sua jurisdição só sabia se refestelar de luxo e gulodice, não respeitava jejuns, fazia transações comerciais, jogava e caçava. Eram enormes as oportunidades de corrupção, até para a realização de seus deveres oficiais exigiam dinheiro, casamentos e funerais sem pagamento adiantado não existia e antes de uma doação não se realizava comunhão, até mesmo os agonizantes ficavam sem seus últimos sacramentos caso algumas moedas não tilintassem no cofre. As famosas indulgências eram simplesmente uma renda extra.
Por ironia do destino, tempos depois, a igreja acusava a Ordem dos Cavaleiros Templários de toda a heresia possível, inclusive de homossexuais, mas esquecera-se que dentro da própria igreja toda essa heresia era um exemplo vivo, usurpadores, torturadores e também existiam os homossexuais. O próprio Arcebispo de Tours foi um homossexual notório que fora amante do seu antecessor e que exigiu na época que o bispado vagado de Orleans fosse concedido ao seu amante. Mas esse pequeno texto é apenas um detalhe, um livro bastante indicado é “A Inquisição” (Michael Baigent & Richard Leigh) entre outros, o que se torna bastante interessante quando comparamos.
Segundo o maior poeta lírico alemão da Idade Média (os livros alemães são importantes, mas raros e quase ninguém tem acesso), Walther Von der Vogelweide (1170-1230): “Por quanto em sono jazereis, Ó Senhor?...Vosso tesoureiro furta a riqueza que haveis armazenado. Vosso ministro rouba aqui e assassina ali, E de vossos cordeiros como pastor cuida um lobo”.
Em novembro de 1207, o Papa Inocêncio III escreveu ao Rei da França e a vários nobres do alto escalão francês, obrigando-os a suprimir os “hereges” em seus domínios pela força militar, em troca recebiam variáveis recompensas, desde absolvição de seus pecados e vícios, liberação de pagamento de todo juro sobre suas dívidas, isenção da Jurisdição dos Tribunais Seculares, além é claro de todas as vantagens explícitas ainda recebiam permissão para saquear, roubar, pilhar e expropriar propriedades. Sendo assim, surgiram batalhas uma após a outra, massacres, que segundo a Igreja eram conhecidos como “Guerra Santa” em nome de Deus, mas de um Deus que somente essa igreja conhecia e se beneficiava da sua proteção.
Assim teve início a Inquisição em pleno tumulto da Idade Média por um decreto papal de 1233 que oficializava a lei do Vaticano. Nos cinco séculos seguintes essa temível instituição continuaria consumindo o que ela julgava como inimigos da igreja, heréticos ou feiticeiros às centenas de milhares.

Continua no próximo post.