sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Teologia do Culto Reformado - 03.

Continuação do post anterior.
Alguém poderia perguntar se Lutero ficaria satisfeito com essa resposta, desde que com o senso que tinha da grandiosa condescendência de Deus em Cristo, ele mantinha que Deus tinha dado ao homem auxílios as suas devoções. Tais auxílios eram rituais e cerimônias. Assim como Cristo, pela sua encarnação, santificou a humanidade, então as coisas terrenas poderiam ser sacramentais ao divino.
Lutero não estava preparado a dispensar o “o porta olho” para a alma, como Bunyan iria mais tarde denominar. Como nós iremos ver mais tarde, essa visão era inaceitável para Calvino, desde que ele mantinha que o homem era essencialmente corrupto e que seu culto só era aceitável na medida em que ele se conformava com a lei de Deus nas Escrituras. Calvino mantinha que o Decálogo discorrendo contra “as imagens de escultura”, tinha dispensando suficientemente a necessidade de cerimônias e vestimentas.
A atitude de Lutero será vista, era capaz de ser defendida em termos teológicos. Mas sua atitude não era estritamente teológica, nem era sempre baseada em princípios. Algumas vezes ele era inconsistente com seus princípios. Lutero nem sempre levava suas convicções teológicas as suas conclusões lógicas. Por exemplo, seu apelo ao braço secular para punir os camponeses os quais se revoltaram contra seus senhores era contrario a sua doutrina da liberdade do cristão.
Similarmente, em matéria litúrgica, pode ser fartamente exposto que sua doutrina da Palavra de Deus não foi logicamente desenvolvida. Como atenuante deve ser lembrado, no entanto, que ele foi o primeiro reformador e que no tempo de Calvino a situação era mais estável e os homens tinham mais tempo de refletir nestes assuntos. Não obstante, não pode ser negado que nos últimos anos de Lutero, o reformador mostrou um crescente conservadorismo. Ele desejava mais uniformidade tanto no uso das vestimentas eclesiásticas como nas formas de liturgia. O que previamente era opcional, se tornou obrigatório.

Finalmente, não pode se ter dúvida que a opinião de Lutero foi, em certa extensão, moldada não em cima de um principio, mas pelos acontecimentos. O método era “solvitur ambulando”. Isto era definitivamente o caso na ordem pela qual suas reformas eram executadas. Sua pregação da Justificação pela fé exigiu para ele reformar o Cânon da Missa. Isto por sua vez levou os sacerdotes a serem separados para cada localidade e também para o costume onde cada sacerdote era permitido realizar uma missa a cada dia. O ataque na vida monástica fez com que muitos monges e freiras deixassem suas vidas solitárias, mas agora estavam desempregados.
Continua no próximo post. 

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A Teologia do Culto Reformado - 02.


Continuação do post anterior.
As últimas duas doutrinas, obviamente, eram derivadas da primeira toda inclusiva doutrina das Escrituras. Uma vez que a Bíblia foi reintegrada em toda a sua autoridade, então se seguiu que qualquer tradição que conflitava com a Palavra de Deus, embora com a sanção da Igreja, tinha que ser abolida. Ainda mais, a primazia das Escrituras determinou um desejo pelo retorno aos princípios e práticas da comunidade primitiva de cristãos como vista nos Atos dos Apóstolos. Estas duas conclusões passaram de mão em mão. Isso porque os erros da igreja contemporânea foram vistos como desvios tanto da Bíblia como também da Igreja primitiva. Ainda, existiam dois princípios dominantes na Bíblia que a prática da Igreja contemporânea desconsiderava.
Se os homens eram justificados por meio da fé na justiça de Cristo, aceitando seu sacrifício como garantia toda suficiente para o perdão de seus pecados, então todas as práticas motivadas por uma crença na justificação pelas obras deveriam desaparecer. Tais práticas incluíam participar da Missa como uma boa obra como também fazer peregrinação. Ainda, a noção de que os santos têm um tesouro de méritos o qual está disponível como um crédito para compensar os débitos do pecador, também tinha que ser abolida. A mesma concepção da eficácia da intercessão dos santos e da mediação necessária do sacerdote anulava a doutrina bíblica de Cristo como único mediador. Se santos e sacerdotes eram indispensáveis, seria inverídico dizer ser Cristo “o único nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos”. Portanto através destas três doutrinas integradas no pensamento de ambos os reformadores Lutero e Calvino se fez necessária uma reforma litúrgica.
Os resultados das reformas litúrgicas luteranas e calvinistas foram reconhecidamente diferentes. Como essas diferenças deveriam ser levadas em consideração? É insuficiente explicar estas diferenças assumindo que Lutero era um conservador e cauteloso reformador enquanto que Calvino era lógico e radical. A diferença real entre a reforma luterana e calvinista no culto pode ser disposta como o seguinte: Lutero ficaria com o que não era especificamente condenado nas Escrituras enquanto Calvino iria ficar apenas como o que era ordenado por Deus nas Escrituras. Este era o seu fundamental desacordo. Isto é de vital importância na historia do culto Puritano, desde que os Puritanos aceitavam o critério Calvinista, enquanto que seus oponentes, os Anglicanos, aceitavam o critério Luterano.
A visão de Lutero, que será demonstrada, foi na maior parte direcionada pelas suas considerações teológicas, mas também deve ser levado em alguma conta seu temperamento e suas exigências práticas que ele tinha que encarar como razões de seu assim chamado conservadorismo. Ele deixou isto muito claro quando não desejava introduzir uma “nova lex” em matéria litúrgica. Ele era averso a instalação de um Cristianismo Levítico. Isto, dizia ele, era contrário a liberdade do Cristão. Todavia, Lutero mantinha que a Palavra de Deus, se fielmente pregada, iria por ela mesma criar novas e adequadas formas de culto cristão. Para ele, isso não produziria uma liturgia obrigatória que acorrentava as consciências dos homens Cristãos. Até quando promulgou a Formula Missae ele negou o desejo de obrigar os Cristãos de aceitá-la. Foi meramente introduzida como uma alternativa sugerida à Missa da Igreja Romana, não como uma declaração autoritativa a qual se deva submeter. A variedade de ritos e cerimônias praticadas nos dias atuais pelas Igrejas luteranas do continente é um legado da doutrina de Lutero da liberdade do Cristão. Deve ainda ser lembrado que ele favoreceu a fluidez no fundamento que a uniformidade litúrgica, pela razão de sua própria uniformidade, iria cegar os homens para o caráter interno do culto. Tudo o que ele requeria era que os ritos da Igreja não deveriam conflitar com a orientação da Sagrada Escritura. Isto estava baseada na advertência de Paulo a considerar o irmão mais fraco. Para que eles não fossem desnorteados por nenhum iconoclasticismo, ele propunha abolir apenas o que era contrario ao ensinamento claro das Escrituras. Para o resto, ele iria provar de todas as coisas e reter o quer era bom.
Esta tendência em considerar a tradição da igreja como valiosa, quando e onde ela não contradizia a Escritura, foi confirmada em Lutero por sua doutrina das Ordens. As implicações desta doutrina foram que Deus ordenou ao mundo que o homem não deveria viver como um individuo isolado da sociedade, mas como um ser compartilhando certas relações comunitárias. Tais comunidades ordenadas por Deus são a Igreja e o Estado. Desde que elas dependem para a sua continuidade da divina sanção, os homens devem respeitá-las. Portanto, excetuando-se o que elas definidamente contradizem a vontade revelada de Deus, elas devem ser obedecidas. Tal doutrina coloca um grande prêmio sobre a tradição e deve ser tida como a base religiosa do conservadorismo de Lutero. Também ajuda a explicar o porquê dos bispos tem uma parte importante em decidir quais particulares reformas litúrgicas são desejáveis. Teoricamente, Lutero deixou a escolha de aceitar ou rejeitar suas reformas litúrgicas para os cristãos das igrejas locais, mas na prática a decisão foi deixada para a escolha do bispo.
Um ponto a ser tratado ainda, é a atitude de Lutero para o cerimonial. Em contraste com o despido Culto Calvinista, a liturgia luterana é rica no uso de ações simbólicas e vestimentas. Nesta matéria, nós temos a clara afirmação de Lutero que Deus deu ao homem cinco sentidos com os quais ele o poderia adorar e seria uma franca ingratidão não usá-los. Sem dúvida ele iria considerar a forma de liturgia de Calvino como um exemplo de cultuar a Deus com apenas dois dos sentidos: ouvir e falar ou cantar. Ao contrário da liturgia Luterana que apela para o sentido do olfato nos incensos e para a visão pelo uso de vestimentas e cerimônias. Para esse criticismo Calvino teria legitimamente respondido que o culto é primariamente para a glória de Deus, e secundariamente para a edificação do homem e não para o prazer deles.

Continua no próximo post

sábado, 14 de outubro de 2017

     A Teologia do Culto Reformado - 1.

     É freqüentemente suposto que as reformas litúrgicas de Lutero e Calvino são concordes somente na condenação dos abusos existentes no final da Igreja Medieval. É também admitido que as diferenças nas respectivas concepções de Culto e no cerne essencial das suas ordens litúrgicas refletiam os contrastes no temperamento deles. Isto é um grave equivoco no entendimento tanto de Lutero como de Calvino em dois aspectos. Uma tentativa será feita para mostrar que os pilares gêmeos da Reforma concordavam não apenas no que constituía os abusos do final da igreja medieval, mas também no desejo de retornar para a primitiva simplicidade do culto cristão.
     A concordância deles sobre os abusos que deviam ser corrigidos, muito mais que a expressão de suas preferências subjetivas, foi devida às doutrinas teológicas que eles mantinham em comum. Em segundo lugar, será demonstrado que é uma simplificação espúria da matéria, declarar que os desacordos entre Lutero e Calvino são explicados como resultado, respectivamente, do conservadorismo de Lutero e da natureza rigidamente lógica de Calvino. Mesmo que esta afirmação seja alterada e venha a produzir a impressão que Calvino foi inteiramente verdadeiro aos seus princípios, enquanto Lutero foi conservador, isto ainda permanece uma concepção injusta a respeito de Lutero. Seu aparente conservadorismo pode ser explicado por princípios teológicos.
   Os Reformadores eram concordes com respeito aos abusos da igreja medieval, que deviam ser corrigidos. Em particular, eles investiram contra quatro falsas concepções. Sua comum “aversão peculiar” foi o ensinamento a respeito da Missa da Igreja medieval. Eles concordavam em condenar o ensinamento que proclama ser na Missa mais uma vez oferecido o sacrifício que de uma vez por todas foi feito no Calvário. Não parecia nada menos que blasfemo para eles que homens ousassem asseverar que o sacrifício feito na Cruz exigia ser repetido. Eles estavam igualmente seguros, em segundo lugar, que a Missa como era celebrada não era uma comunhão. O povo não comungava de ambos os elementos; eles eram apenas espectadores de um drama no qual o sacerdote era o ator principal e o coro cantava uma música incidental e complicada. Isso não era tudo; o serviço da Missa não era nem inteligível para a maior parte do povo, porque onde era audível, o era falada ou cantada em uma língua acadêmica, o latim. 
Continua no próximo post.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A Doutrina de Deus – 19.


Continuação do post anterior.
Uma outra indagação freqüentemente feita pelos crentes é a seguinte: “Porque o crente precisa sofrer tantas dificuldades, se Deus realmente controla todos os acontecimentos desta vida?” A bíblia revela diversas razões para isso:
  1. Essas dificuldades podem ser permitidas por Deus tendo em mira o desenvolvimento espiritual do crente. Veja Salmo 94.12: “Bem-aventurado o homem, SENHOR, a quem tu repreendes, a quem ensinas a tua lei” - RA e Hebreus 12.5-13.
  2. Essas dificuldades podem representar provações, que preparam o crente para avenidas ainda mais largas do serviço cristão. (veja 1 Coríntios 16.9: “ porque uma porta grande e oportuna para o trabalho se me abriu; e há muitos adversários.” - RA e Tiago 1.2-12.
  3. As aflições também glorificam a Deus, se reagirmos a elas da maneira certa. Veja Jó capítulos 1, 2 e 42.
  4. As dificuldades fazem parte do alto chamamento da Igreja. Veja Jo 15.18: “Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós outros, me odiou a mim” - RA; Jo 16.33: “ Estas coisas vos tenho dito para que tenhais paz em mim. No mundo, passais por aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” - RA); Atos dos Apóstolos 14.22: “ fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, através de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus”.- RA e 1 Pedro 4.12-19.
Pelo fato de algumas vezes, Deus intervir ativamente nas atividades das pessoas, sabemos que podemos desempenhar um papel muito eficaz na vida de outras pessoas, quando oramos. Moisés rogou ao Senhor e Israel foi salvo da destruição. Elias orou e o Palácio foi abalado. São muitos os exemplos em ambos os Testamentos da intervenção de Deus quando seu povo orou. Ele faz certas coisas em resposta direta às orações dos crentes.
Mas Ele realiza outros feitos, sem que ninguém precise orar a respeito. E também há vezes em que Deus parece fazer exatamente ao contrário daquilo que estamos orando, visto que, em Sua soberania, Ele está visando o nosso maior bem. Se Deus quiser fazer coisas sobre as quais ninguém esteja orando, mesmo assim Ele as fará. Se orarmos sobre coisas contrárias a Sua vontade, então Ele recusar-se-á a no-las conceder. Portanto, há uma perfeita harmonia entre os Seus propósitos e a Sua Providência, por um lado, e a liberdade humana por outro lado.
Por conseguinte, conforme já vimos, algumas vezes os crentes padecem como resultado de estarem vivendo em um mundo maligno. Deus que controla todas as coisas, nem sempre impede que indivíduos maus pratiquem o que é ruim. Tanto crentes como não-crentes podem sofrer em decorrência de descuidos. Geralmente Deus não interfere nas leis físicas normais e nem em nossa própria liberdade de escolha. Todas as pessoas vivem em um mundo onde cada um de nós está sujeito a acidentes e a morte eventual.
O nosso alvo não consiste em realizar as nossas próprias idéias sobre a vida, mas antes, consiste em viver de tal maneira que isto resulte na glória de Deus. O amor de Deus por nós jamais se altera e Ele prometeu que, se nós O amarmos, Ele operará em todas as coisas visando o nosso bem. Dotados de tal conhecimento, podemos entregar-nos confiadamente nas mãos do nosso soberano Deus, crendo que as razões para quaisquer circunstâncias que Ele imponha, permita, determine ou impeça, algum dia ficarão tão claras para nós quanto o são para Ele.
Continua no próximo post

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

A Doutrina de Deus – 18.
Continuação do post anterior.
Paulo assevera que Deus “faz todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade” (Efésios 1.11), e também afirma que Deus opera em nós “tanto o querer como o efetuar, segundo a Sua boa vontade” (Filipenses 2.13). Ele confere-nos discernimento quanto as situações da vida e guia-nos por meio do Seu Santo Espírito. Ele adverte-nos quanto às consequências do fracasso e procura conquistar-nos gentilmente. Contudo, não tira a nossa liberdade, visto que não nos impõe a Sua vontade à força. Dentro da experiência da salvação, Ele dá início à Sua admirável realização, colocando-se do lado de fora de nosso coração e batendo; mas, nós é que devemos abrir-Lhe a porta. (veja Apocalipse 3.20: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele, comigo”. - RA). Além disso, o Espírito Santo vem habitar em nós. Ele mantém o controle sobre as nossas vidas por todo o tempo em que nos mantivermos submissos ao Seu senhorio. Nosso relacionamento com Ele, como nosso Senhor, continua baseado em nosso amor por Ele e a nossa escolha de entregar a Ele o controle de nossas vidas.
3.Governo. Refere-se às atividades do governo divino, com o objetivo de concretizar os Seus propósitos divinos. Conforme vimos, Deus governou o mundo físico por meio de leis que Ele mesmo estabeleceu. E Ele governa as pessoas através das leis e propriedades da mente, e também mediante as operações do Espírito Santo. Assim fazendo, Deus usa todas as formas de influência, como as circunstâncias, os motivos, a instrução, a persuasão e a força do exemplo. Ele opera diretamente, por meio das operações do Espírito Santo para que influencie o intelecto, as emoções e a vontade do homem.
Deus governa todas as coisas pelo menos de quatro maneiras diferentes. Quando compreendemos essas maneiras percebemos a relação que há entre a vontade soberana de Deus, na realização do Seu plano divino e a vontade do homem, que atua livremente.
  1. Algumas vezes Deus nada faz para impedir o homem de fazer o que ele resolveu fazer. Isso não quer dizer que Deus esteja aprovando o pecador, mas é que Ele não impõe o Seu poder para impedir esses atos errados. Exemplos disso aparecem em Atos dos Apóstolos 14.15,16 e Salmos 81.12,13.
  2. De outras vezes, Deus impede os homens de cometerem o pecado, influenciando-os para que não pequem. Exemplos disso vemos em Gênesis 20.6; 31.34 e Oséias 2.6. O salmista orou solicitando esse tipo de ajuda, conforme se lê em Salmos 19.13: “da soberba guarda o teu servo”.
  3. De outras vezes, sobre a direção divina, Deus redireciona os atos de homens maus, usando esses atos para que redundem em bons resultados. Já vimos um exemplo disso na vida de José. Seus irmãos pecaram, mas Deus usou tal erro para fazer algo de bom.
  4. Finalmente, algumas vezes Deus determina os limites do pecado e da iniqüidade. Trechos bíblicos como os de Jó 1.12 e 2.6 indicam que Deus impõe limites às atividades de satanás. Paulo em 1 Coríntios 10.13 declara que o Senhor também estabelece um limite aos testes e tentações que os crentes precisam enfrentar.
A providência transmite-nos a idéia de que Deus governa amorosamente todas as coisas. Esse amor atinge a sua expressão culminante nas palavras do apóstolo: “... todas as coisas colaboram juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu decreto” (Romanos 8.28).
Efeitos da Providência Divina.
De que maneira a providência divina afeta as nossas experiências pessoais? Muitos trechos bíblicos revelam a promessa divina de fazer prosperar os justos (veja Levítico 26.3-13 e Deuteronômio 28.1-14). Deus abençoa aqueles que Lhe pertencem – Suas bênçãos, porém, são por demais numerosas para serem mencionadas uma a uma.
Entretanto, com certa freqüência, os retos indagam: Por que os ímpios prosperam? E porque eles não são castigados? O salmista responde que 1) A prosperidade dos ímpios é apenas temporária; e 2) eventualmente Deus haverá de julgara iniqüidade dos ímpios (Veja Salmos 37.16-22; 73.1-28; ver também Malaquias 3.13-4.3).
Portanto, quando alguém lhe perguntar: “Por qual razão Deus não põe um ponto final em toda essa violência?”, então você poderá responder com toda confiança: “Espere para ver o ato final desse drama. Deus já iniciou o Seu plano para eliminar o egoísmo, o desespero, a rebeldia e a corrupção. De acordo com o Seu plano eterno, haverá bênçãos e prosperidade para todos quanto amam a Deus”. Nesse ínterim, Deus vai adiando o julgamento, a fim de dar aos ímpios a oportunidade de se arrependerem (ver Romanos 2.4 e 2 Pedro 3.9)

Continua no próximo post.

sábado, 12 de agosto de 2017

A Doutrina de Deus –17.


Continuação do post anterior.
3. O governo de Deus tem, como seu alvo primário, a Sua própria glória (Efésios 1.11-14). Todas as perfeições de Deus manifestam-se através de Seu governo. Isso significa que a Sua providência divina revela-nos as qualidades do Seu Ser. Para exemplificar, o Seu amor é revelado pela Sua provisão às Suas criaturas, particularmente quando lhes provê redenção, mediante o Seu Filho. A Sua verdade é revelada tanto nas leis da natureza como em Sua fidelidade, no cumprimento das promessas existentes em Sua Palavra. A Sua santidade e retidão são reveladas no ódio que Ele tem ao pecado. O Seu poder é demonstrado em Sua obra de criação, redenção e providência. E a Sua sabedoria pode ser vista na maneira como Ele opera a fim de concretizar os Seus propósitos. E, quando reconhecemos quão maravilhoso é o nosso grande Criador, então nós Lhe prestamos honra e glória.
Elementos da Providência Divina.
Muitos estudiosos da Bíblia sugerem que há três aspectos da providência divina. Entretanto, eles reconhecem que esses aspectos se justapõem até certo ponto e que essas três fases nunca aparecem isoladas nas operações de Deus. Esses aspectos são a preservação, a concordância e o governo.
1. Preservação. Já podemos discutir sobre a preservação divina, ou seja, a manutenção do universo, como parte do governo soberano de Deus sobre todas as coisas. Deus está ativamente envolvido na preservação de Sua criação. Tudo quanto Deus criou depende absolutamente dEle. Contudo, Ele conferiu certas propriedades a cada parte de Sua criação, visando a sua manutenção. O trecho de Gênesis 1.24,25: “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez. E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom”.- RA; indica que Deus dotou cada criatura de certas características naturais, que lhe são próprias. Cada espécie cresce, desenvolve-se, amadurece e reproduz-se de acordo com a sua própria espécie.
2. Concordância. O vocábulo concordância significa acordo, cooperação, consentimento. Ele dá a idéia que nenhuma atividade da matéria ou da mente pode ter lugar sem o consentimento de Deus e que o Seu poder coopera com os poderes que lhe estão sujeitos. Em Atos 17.28: “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração”.  – RA; e em 1 Coríntios 12.6: “E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”.- RA; o apóstolo Paulo dá a entender que, sem a concordância de Deus, nenhuma força ou pessoa poderia continuar a agir ou mesmo a existir. Destarte, o poder de Deus exerce fortíssima influência sobre o poder do homem, embora sem destruí-lo e sem furtar do ser humano a sua liberdade. O homem possui, conserva e utiliza seus poderes naturais, enquanto que Deus preserva a sua mente e o seu corpo através de suas funções naturais.
Visto que Deus é a base da existência do homem, não podemos dizer que o papel do homem é igual em importância ao papel de Deus. Nesse ponto, novamente, encontramos um profundo mistério: Deus outorgou ao homem poderes naturais que podem ser usados para o bem ou para o mal. Quando esses poderes naturais são usados de maneira má, somente o homem é o responsável, porquanto Deus não é o causador dos maus atos dos homens. Veja em Jeremias 44.4: Todavia, começando eu de madrugada, lhes enviei os meus servos, os profetas, para lhes dizer: Não façais esta coisa abominável que aborreço”.- RA; e Tiago 1.13,14: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”.- RA.
Deus concorre com os atos dos homens, conferindo-lhes os seus poderes naturais; mas, a má direção desses poderes vem da parte dos homens. Um exemplo dessa concorrência é o caso de José. Veja em Gênesis 45.5: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós”.- RA; e Gênesis 50.20: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”.- RA. Vemos ali que, apesar de seus irmãos terem usados seus poderes naturais para fazerem o mal, Deus faz aquela má ação redundar em bem. Ele consentiu os atos, permitindo-os; mas, cumpriu a Sua vontade através do que eles fizeram, de acordo com os Seus propósitos.
Continua no próximo post.


segunda-feira, 24 de julho de 2017

A Doutrina de Deus - 16.


Continuação do post anterior
Precisamos reconhecer que a preservação divina é necessária, pois tudo quanto Deus criou, como ser ou ação, depende dEle de modo absoluto. Nenhuma criatura tem a capacidade de continuar a existir por si mesma. Tudo só existe e continua por causa da vontade do Criador. É mediante a palavra de seu poder que todas as coisas, bem como o universo inteiro, são mantidas ou sustentadas. Veja em Hebreus 1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”, - RA.
Apesar de todas as coisas continuarem existindo mediante o contínuo exercício da vontade de Deus, Ele outorgou a cada porção de Sua criação, certas propriedades que são necessárias à sua preservação. No mundo físico Deus atua através de propriedades e leis físicas, as quais, algumas vezes, denominamos “leis da natureza”. No mundo intelectual, Deus opera através de propriedades ou capacidades da mente; Ele nos deu a capacidade de pensar, de sentir e de tomar decisões. Deus opera através dessas propriedades, quando trata conosco. Na preservação do mundo, Deus não altera aquilo que Ele estabeleceu por ocasião da criação. Ele simplesmente mantêm aquilo que Ele criou.
Um outro aspecto do governo soberano de Deus é a Sua providência. Apesar de incluir a idéia de preservação, envolve mais do que isso. Também quer dizer que Deus tem a capacidade de ver as coisas com antecedência de prever, de planejar antes delas acontecerem. Refere-se também a capacidade de Deus cumprir o Seu propósito final na criação, que é o estabelecimento de Seu reino, sob o governo de Jesus Cristo. E finalmente, fala sobre as atividades de Deus, mediante as quais Ele conserva, cuida e governa tudo quanto criou. Como Deus faz isso constitui um mistério; mas há certos detalhes, referentes à providência de Deus, para conosco, que sabemos:
  1. Deus está pessoalmente envolvido no mundo que Ele criou.
  2. Deus faz tudo quanto existe na natureza mover-se conforme Ele intencionou.
  3. Ele capacita e impulsiona pessoas a agirem como agentes morais responsáveis, dotados da liberdade de escolher entre o que é certo e o que é errado.
  4. Se alguém preferir aceitar a salvação que Deus oferece, então Ele prevê para tal pessoa a vida eterna, com todas as alegrias e o esplendor conferidos pela Sua majestade.
Propósitos da Providencia Divina. Há diversos propósitos no governo providencial de Deus, que envolvem o relacionamento de Deus com as criaturas que O amam e Lhe são obedientes, a saber:
1. O governo de Deus é caracterizado pelo Seu interesse por nós. Muitas passagens da Bíblia revelam que Deus governa visando a felicidade de Seu povo. Veja o Salmo 84.11: “O SENHOR Deus é a nossa luz e o nosso escudo. Ele ama e honra os que fazem o que é certo e lhes dá tudo o que é bom”. - NTLH. Outras passagens bíblicas como Atos 14.17: “Mas Deus sempre mostra quem ele é por meio das coisas boas que faz: é ele quem manda as chuvas do céu e as colheitas no tempo certo; é ele quem dá também alimento para vocês e enche o coração de vocês de alegria”. - NTLH;
e Romanos 8.28: “ Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano”. - NTLH, também revelam o interesse da Deus pela nossa felicidade e bem estar.
2. O governo de Deus é caracterizado pelo Seu interesse pelo desenvolvimento mental e moral do Seu povo. A maneira de Deus tratar com o Seu povo, através da história, tem envolvido a necessidade de educá-los, a fim de perceberem o seguinte: 1) o que Deus requer da parte deles; 2) que a maneira dEle é santa; 3) que o pecado é ofensivo para Ele; e 4) que oferece perdão por causa do pecado e reconciliação entre o pecador e Ele. Nos tempos antigos, Deus permitiu coisas tais como o divórcio, porque os homens ainda estavam imaturos (não tinham se desenvolvido espiritualmente). O trecho de Marcos 10.5 fala sobre isso. Veja: “Então Jesus disse: —Moisés escreveu esse mandamento para vocês por causa da dureza do coração de vocês”.- NTLH. As leis do Antigo Testamento e o sistema levítico de governo faziam parte desse processo de desenvolvimento. Eles preparam o caminho para a revelação do Cordeiro de Deus (Jesus Cristo), o qual tira o pecado do mundo. Toda a providência divina, conduzindo o seu povo na direção da maturidade espiritual, tem por propósito prepará-los para serem a Sua possessão especial.

Continua no próximo post.