sábado, 12 de agosto de 2017

A Doutrina de Deus –17.


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3. O governo de Deus tem, como seu alvo primário, a Sua própria glória (Efésios 1.11-14). Todas as perfeições de Deus manifestam-se através de Seu governo. Isso significa que a Sua providência divina revela-nos as qualidades do Seu Ser. Para exemplificar, o Seu amor é revelado pela Sua provisão às Suas criaturas, particularmente quando lhes provê redenção, mediante o Seu Filho. A Sua verdade é revelada tanto nas leis da natureza como em Sua fidelidade, no cumprimento das promessas existentes em Sua Palavra. A Sua santidade e retidão são reveladas no ódio que Ele tem ao pecado. O Seu poder é demonstrado em Sua obra de criação, redenção e providência. E a Sua sabedoria pode ser vista na maneira como Ele opera a fim de concretizar os Seus propósitos. E, quando reconhecemos quão maravilhoso é o nosso grande Criador, então nós Lhe prestamos honra e glória.
Elementos da Providência Divina.
Muitos estudiosos da Bíblia sugerem que há três aspectos da providência divina. Entretanto, eles reconhecem que esses aspectos se justapõem até certo ponto e que essas três fases nunca aparecem isoladas nas operações de Deus. Esses aspectos são a preservação, a concordância e o governo.
1. Preservação. Já podemos discutir sobre a preservação divina, ou seja, a manutenção do universo, como parte do governo soberano de Deus sobre todas as coisas. Deus está ativamente envolvido na preservação de Sua criação. Tudo quanto Deus criou depende absolutamente dEle. Contudo, Ele conferiu certas propriedades a cada parte de Sua criação, visando a sua manutenção. O trecho de Gênesis 1.24,25: “Disse também Deus: Produza a terra seres viventes, conforme a sua espécie: animais domésticos, répteis e animais selváticos, segundo a sua espécie. E assim se fez. E fez Deus os animais selváticos, segundo a sua espécie, e os animais domésticos, conforme a sua espécie, e todos os répteis da terra, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom”.- RA; indica que Deus dotou cada criatura de certas características naturais, que lhe são próprias. Cada espécie cresce, desenvolve-se, amadurece e reproduz-se de acordo com a sua própria espécie.
2. Concordância. O vocábulo concordância significa acordo, cooperação, consentimento. Ele dá a idéia que nenhuma atividade da matéria ou da mente pode ter lugar sem o consentimento de Deus e que o Seu poder coopera com os poderes que lhe estão sujeitos. Em Atos 17.28: “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração”.  – RA; e em 1 Coríntios 12.6: “E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos”.- RA; o apóstolo Paulo dá a entender que, sem a concordância de Deus, nenhuma força ou pessoa poderia continuar a agir ou mesmo a existir. Destarte, o poder de Deus exerce fortíssima influência sobre o poder do homem, embora sem destruí-lo e sem furtar do ser humano a sua liberdade. O homem possui, conserva e utiliza seus poderes naturais, enquanto que Deus preserva a sua mente e o seu corpo através de suas funções naturais.
Visto que Deus é a base da existência do homem, não podemos dizer que o papel do homem é igual em importância ao papel de Deus. Nesse ponto, novamente, encontramos um profundo mistério: Deus outorgou ao homem poderes naturais que podem ser usados para o bem ou para o mal. Quando esses poderes naturais são usados de maneira má, somente o homem é o responsável, porquanto Deus não é o causador dos maus atos dos homens. Veja em Jeremias 44.4: Todavia, começando eu de madrugada, lhes enviei os meus servos, os profetas, para lhes dizer: Não façais esta coisa abominável que aborreço”.- RA; e Tiago 1.13,14: “Ninguém, ao ser tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta. Ao contrário, cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”.- RA.
Deus concorre com os atos dos homens, conferindo-lhes os seus poderes naturais; mas, a má direção desses poderes vem da parte dos homens. Um exemplo dessa concorrência é o caso de José. Veja em Gênesis 45.5: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós”.- RA; e Gênesis 50.20: “Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida”.- RA. Vemos ali que, apesar de seus irmãos terem usados seus poderes naturais para fazerem o mal, Deus faz aquela má ação redundar em bem. Ele consentiu os atos, permitindo-os; mas, cumpriu a Sua vontade através do que eles fizeram, de acordo com os Seus propósitos.
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segunda-feira, 24 de julho de 2017

A Doutrina de Deus - 16.


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Precisamos reconhecer que a preservação divina é necessária, pois tudo quanto Deus criou, como ser ou ação, depende dEle de modo absoluto. Nenhuma criatura tem a capacidade de continuar a existir por si mesma. Tudo só existe e continua por causa da vontade do Criador. É mediante a palavra de seu poder que todas as coisas, bem como o universo inteiro, são mantidas ou sustentadas. Veja em Hebreus 1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”, - RA.
Apesar de todas as coisas continuarem existindo mediante o contínuo exercício da vontade de Deus, Ele outorgou a cada porção de Sua criação, certas propriedades que são necessárias à sua preservação. No mundo físico Deus atua através de propriedades e leis físicas, as quais, algumas vezes, denominamos “leis da natureza”. No mundo intelectual, Deus opera através de propriedades ou capacidades da mente; Ele nos deu a capacidade de pensar, de sentir e de tomar decisões. Deus opera através dessas propriedades, quando trata conosco. Na preservação do mundo, Deus não altera aquilo que Ele estabeleceu por ocasião da criação. Ele simplesmente mantêm aquilo que Ele criou.
Um outro aspecto do governo soberano de Deus é a Sua providência. Apesar de incluir a idéia de preservação, envolve mais do que isso. Também quer dizer que Deus tem a capacidade de ver as coisas com antecedência de prever, de planejar antes delas acontecerem. Refere-se também a capacidade de Deus cumprir o Seu propósito final na criação, que é o estabelecimento de Seu reino, sob o governo de Jesus Cristo. E finalmente, fala sobre as atividades de Deus, mediante as quais Ele conserva, cuida e governa tudo quanto criou. Como Deus faz isso constitui um mistério; mas há certos detalhes, referentes à providência de Deus, para conosco, que sabemos:
  1. Deus está pessoalmente envolvido no mundo que Ele criou.
  2. Deus faz tudo quanto existe na natureza mover-se conforme Ele intencionou.
  3. Ele capacita e impulsiona pessoas a agirem como agentes morais responsáveis, dotados da liberdade de escolher entre o que é certo e o que é errado.
  4. Se alguém preferir aceitar a salvação que Deus oferece, então Ele prevê para tal pessoa a vida eterna, com todas as alegrias e o esplendor conferidos pela Sua majestade.
Propósitos da Providencia Divina. Há diversos propósitos no governo providencial de Deus, que envolvem o relacionamento de Deus com as criaturas que O amam e Lhe são obedientes, a saber:
1. O governo de Deus é caracterizado pelo Seu interesse por nós. Muitas passagens da Bíblia revelam que Deus governa visando a felicidade de Seu povo. Veja o Salmo 84.11: “O SENHOR Deus é a nossa luz e o nosso escudo. Ele ama e honra os que fazem o que é certo e lhes dá tudo o que é bom”. - NTLH. Outras passagens bíblicas como Atos 14.17: “Mas Deus sempre mostra quem ele é por meio das coisas boas que faz: é ele quem manda as chuvas do céu e as colheitas no tempo certo; é ele quem dá também alimento para vocês e enche o coração de vocês de alegria”. - NTLH;
e Romanos 8.28: “ Pois sabemos que todas as coisas trabalham juntas para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles a quem ele chamou de acordo com o seu plano”. - NTLH, também revelam o interesse da Deus pela nossa felicidade e bem estar.
2. O governo de Deus é caracterizado pelo Seu interesse pelo desenvolvimento mental e moral do Seu povo. A maneira de Deus tratar com o Seu povo, através da história, tem envolvido a necessidade de educá-los, a fim de perceberem o seguinte: 1) o que Deus requer da parte deles; 2) que a maneira dEle é santa; 3) que o pecado é ofensivo para Ele; e 4) que oferece perdão por causa do pecado e reconciliação entre o pecador e Ele. Nos tempos antigos, Deus permitiu coisas tais como o divórcio, porque os homens ainda estavam imaturos (não tinham se desenvolvido espiritualmente). O trecho de Marcos 10.5 fala sobre isso. Veja: “Então Jesus disse: —Moisés escreveu esse mandamento para vocês por causa da dureza do coração de vocês”.- NTLH. As leis do Antigo Testamento e o sistema levítico de governo faziam parte desse processo de desenvolvimento. Eles preparam o caminho para a revelação do Cordeiro de Deus (Jesus Cristo), o qual tira o pecado do mundo. Toda a providência divina, conduzindo o seu povo na direção da maturidade espiritual, tem por propósito prepará-los para serem a Sua possessão especial.

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terça-feira, 20 de junho de 2017

A Doutrina de Deus - 15.



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Deus, o supremo Criador do universo governa soberanamente sobre tudo o que Ele criou. O que significa isso? A palavra supremo significa “o mais elevado em posição e autoridade, o mais elevado em grau ou qualidade”. Deus é superior, de todas as maneiras, a tudo quanto existe fora dEle. E a palavra soberano significa “estar livre de qualquer controle ou poder externo e ter a capacidade de fazer o que bem quiser”.
Assim sendo, a soberania de Deus descreve o Seu supremo governo sobre o universo (Veja 1 Timóteo 6.15: “ a qual, em suas épocas determinadas, há de ser revelada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores;” - RA). A Sua soberania manifesta-se na direção de Sua vontade. (Veja Efésios 1:11 RA: “nele, digo, no qual fomos também feitos herança, predestinados segundo o propósito daquele que faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade”, - RA). As Escrituras ensinam claramente a soberania de Deus: Veja como:
  1. Como nosso Criador ele tem o direto de nos governar. Veja 1 Crônicas 29.11: “ Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos”.- RA; Mateus 20.15: “Porventura, não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou são maus os teus olhos porque eu sou bom?” - RA; Ezequiel 18.4: “Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá”.- RA.
  2. Ele faz aquilo que Lhe parece melhor. Veja Salmo 115.3: “No céu está o nosso Deus e tudo faz como lhe agrada”.- RA; Daniel 4.35: “Todos os moradores da terra são por ele reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?” - RA.
  3. Há um propósito em tudo quanto Deus faz. Veja Romanos 8.28: “Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito”.- RA; Isaías 48.11: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem” - RA.
A soberania de Deus envolve a preservação e a manutenção do universo, bem como a sua providência. Em primeiro lugar, consideraremos como Deus preserva e mantêm o universo.
A Preservação (Manutenção) do Universo – Nenhum arquiteto, por mais brilhante que seja, foi capaz de planejar uma casa que nunca precisasse de reparos. Nenhum jardineiro planta cuidadosamente as sementes de belas flores, sem que precise cuidar das plantas podando, arrancando as ervas daninhas e regando. A Bíblia ensina-nos que o universo também precisa ser preservado ou mantido. Veja Atos 17.28: “pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração”.- RA; Hebreus 1.3: “Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas”, - RA.
Deus age continuamente mantendo o universo, cuidando dele. As Escrituras mostram-nos que, depois de Sua obra de criação, Deus dá prosseguimento às Suas atividades, cuidando de todas as coisas (Leia todo o Salmo 104). Isso inclui as pessoas e os animais. Veja o Salmo 36.6: “A tua justiça é como as montanhas de Deus; os teus juízos, como um abismo profundo. Tu, SENHOR, preservas os homens e os animais”.- RA, bem como a proteção daqueles que são santos e justos. Veja Provérbios 2.8: “guarda as veredas do juízo e conserva o caminho dos seus santos” - RA.
Declarou o apóstolo Paulo: “Porque nele vivemos, e nos movemos e existimos...” (Atos 19.28). Deus não seria realmente soberano se qualquer coisa existisse ou acontecesse no universo, independentemente de Sua vontade e do Seu poder. Trechos bíblicos como os de Neemias 9.6: “Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te adora”.- RA; e Salmos 145.14-16: “O SENHOR sustém os que vacilam e apruma todos os prostrados. Em ti esperam os olhos de todos, e tu, a seu tempo, lhes dás o alimento. Abres a mão e satisfazes de benevolência a todo vivente.” - RA, ensinam que Deus está ativamente envolvido na preservação de todas as coisas.

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sexta-feira, 19 de maio de 2017

A Doutrina de Deus - 14.


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A narrativa bíblica revela uma série de atos criativos que, considerados conjuntamente, compõem um grande processo de criação. (Veja em Gênesis 1 e 2 e Salmo 33.6). O fato da criação reveste-se de significado para as nossas vidas e de diversas maneiras, a saber:
1ª. - Sabendo que o Criador do universo existia antes de todas as coisas, deveríamos ficar maravilhados com a eterna grandeza e majestade de Deus, ao mesmo tempo em que ficaríamos reduzidos à insignificância, em comparação com Ele.
2ª. - O Senhor de toda criação tem direito de exigir que Suas criaturas Lhes sejam obedientes, prestando-Lhe adoração e serviço.
3ª. - Na criação vemos uma revelação geral do Criador, que exibe a Sua sabedoria, o Seu poder e o Seu interesse pelas Suas criaturas (Veja Rm 1.18-20: “ A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça; porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;” - RA). e
4ª. - O ensino bíblico sobre a criação é básico para a nossa fé, pois jamais poderíamos nos entregar aos cuidados de alguém, com vistas à nossa eterna salvação, cujo poder fosse menor que o do Criador revelado nas Escrituras.
Não precisamos ficar indagando por qual motivo Deus planejou e produziu todas as coisas. Ele fez tudo para a Sua glória. (Veja no Salmo 19.1: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” - RA; Isaías 42.7: “para abrires os olhos aos cegos, para tirares da prisão o cativo e do cárcere, os que jazem em treva” - RA; Isaías 48.11: “Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem” - RA; e Apocalipse 4.11: “Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua vontade vieram a existir e foram criadas” - RA). As pessoas gastam toda a sua vida a procura da felicidade. Porém, a verdadeira felicidade nos é outorgada somente quando procuramos glorificar a Deus. Fomos criados com esse expresso propósito, e essa é a grande chave para a nossa felicidade.
Um certo amigo, certa ocasião, queixou-se de que se sentia infeliz porque nunca fizera algo de grande em favor de Deus. Então lhe perguntei: “O seu alvo mais alto é glorificar a Deus naquilo que você faz? Você está disposto a permitir que aconteça qualquer coisa, para atingir esse alvo?” Foi assim que ele percebeu que sua ambição de fazer algo grande tinha sido sempre o alvo mais importante de sua vida. Ele estava apenas enganando a si mesmo, pensando que queria fazer as coisas para Deus. Jesus disse: “Porque qualquer que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas, qualquer que perder a sua vida por amor de mim e do evangelho, esse a salvará” (Marcos 8.35). Sim, fomos criados para glorificar a Deus em nossas vidas.
Em certas sociedades, o universo é visto como algo eterno, cuja história passa por um interminável ciclo de criação, destruição e recriação. O único verdadeiro alvo das pessoas dessa sociedade é desaparecer da existência, pois elas vivem tomadas pelo desespero. O conceito bíblico de universo tem um começo (A criação de todas as coisas), um propósito (a salvação dos homens por meio de Jesus Cristo), e a promessa da vida eterna, dentro do reino de Deus. Os atos criativos de Deus não se limitam àquilo que Ele fez no passado. As passagens de João 3.3: “A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” - RA; 2 Coríntios 5.7: “ visto que andamos por fé e não pelo que vemos.” - RA; Gálatas 6.15: “ Pois nem a circuncisão é coisa alguma, nem a incircuncisão, mas o ser nova criatura.” – RA e Salmos 51.10: “ Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável.” – RA, afirmam que Deus purifica os corações daqueles que se arrependem de seus pecados e aproximam-se dEle confiadamente. Esses trechos bíblicos também nos ensinam que, quando uma pessoa volta-se para Deus em busca de salvação, ela nasce de novo e torna-se uma nova criatura, ou uma nova criação. Desse modo, os atos criativos de Deus incluem a criação espiritual, que tem lugar quando uma pessoa aceita a Jesus Cristo como seu salvador.
As obras criativas de Deus revelam as Suas características de maneira geral às Suas criaturas. A criação dá-nos consciência da eterna grandeza e da majestade de Deus, bem como de nossa pequena importância em comparação com Ele. O conhecimento da natureza e do poder de Deus, revelados através da criação de todas as coisas, deveria levar-nos a glorificar a Deus.

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

A Doutrina de Deus - 13.


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Deus ama profundamente a você e a mim. E Ele demonstra isso não somente por meio de palavras e de promessas, mas também por meio daquilo que Ele faz. Nada existe que possamos fazer para merecer o amor de Deus. Coisa alguma que possamos dizer ou fazer é capaz de obrigar Deus a amar-nos. Mas, amar simplesmente faz parte da Sua natureza. Ele ama ao mundo. Ele nos ama.
Deus mostra, de maneira prática, o quanto Ele nos ama. Algumas pessoas alistam a bondade, a misericórdia, a paciência e a fidelidade como atributos separados de Deus, mas consideramos essas qualidades como aspectos de Seu amor. Provavelmente, você será capaz de pensar em outros aspectos do amor de Deus, os quais poderiam ser acrescentados a essa lista. Esses atributos mostram-nos quão importantes nós somos para Deus. Eles fazem-nos lembrar o quanto Ele está interessado em nós.
Nas páginas do Antigo Testamento, com freqüência Deus é descrito como um grande e poderoso guerreiro. Ver Deus ali como amoroso, é algo profundamente emocionante. Um dos mais admiráveis exemplos do Seu amor mostra o Senhor como um irado destruidor, prestes a punir uma cidade ímpia. No entanto, Ele reluta – Ele recua. Por que Deus não prosseguiu com o Seu plano de destruir? Afinal de contas, as muralhas já cederam e nada mais é capaz de impedir o castigo. No entanto, há alguma coisa que O deteve – é o Seu amor por aquela gente má. Eis o que Ele declarou: “E busquei dentre eles um homem que estivesse tapando o muro e estivesse na brecha perante mim por esta terra, para que eu não a destruísse; mas, a ninguém achei” (Ezequiel 22.30). Se alguma pessoa justa estivesse ali, para rogar pela misericórdia de Deus, Deus teria poupado a cidade. Quanto amor Deus demonstra aos homens!
Davi, Isaías e Jeremias apresentaram Deus como um pai. Que interesse um bom pai demonstra por seus filhos, que levou esses homens a fazerem tal comparação? Deus disse que se compadece de Seus filhos, lembra-se que eles são apenas pó, incapazes de se defenderem (Sl 103.13,14). Isaías concebia-o como um pai redentor (Isaías 63.16; 64.18). E Jeremias via a Deus como um pai que, após ter castigado a seus filhos desobedientes, haverá de reconduzi-los à sua terra (Jeremias 31.7-9).
No Novo Testamento encontramos o exemplo supremo do amor de Deus. Quando Jesus veio a este mundo para pagar pela pena imposta por causa dos nossos pecados, Ele revelou qual é o terrível salário do pecado: a morte. Ele providenciou a nossa salvação, mas a um custo que ninguém pode calcular – a Sua própria vida (Jo 3. 16,17). Visto que Deus nos ama tanto, sabemos que Ele jamais permitirá que qualquer coisa nos aconteça na vida que Ele não possa fazer redundar em nosso bem final, se, porventura, O amamos. Podemos estar certos de seu amor, sem importar quais sejam as nossas circunstâncias externas. O Seu amor haverá de livrar-nos do temor e de Seus tormentos (1 Jo 4.18 e 2 Tm 1.7).
O trecho de Ezequiel 18.1-32 revela o grande amor que Deus tem pelo Seu povo. Apesar deles, algumas vezes, não reconhecerem a razão para as suas dificuldades, Deus lhes esclarece que o que quer deles é um serviço obediente. O julgamento é feito para chamar a sua atenção, e para produzir cura e restauração no relacionamento deles com Deus. Os versículos 31 e 32 indicam o profundo amor de Deus por Israel e o Seu interminável desejo pela salvação de Seu povo.
Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e criai em vós um coração novo e espírito novo; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel? Porque não tomo prazer na morte do que morre, diz o Senhor Jeová: convertei-vos pois e vivei”.
A obra da Criação de Deus.
Consideraremos agora as obras de Deus: 1) Seus atos criativos; 2) Seu governo soberano do universo, que inclui a manutenção ou preservação da Sua criação; e 3) Sua providência que executa o seu eterno propósito. Em primeiro lugar, examinaremos aquilo que a Bíblia ensina sobre a criação de todas as coisas por Deus.
As pessoas, com freqüência destacam-se na história não por causa do que elas são, mas pelo que elas fizeram . Poe exemplo, madame Marie Curie não se tornou famosa por ser membro de uma família real, mas por que era médica, química e descobriu o rádio e o polônio.
Em contraste o Ser Supremo do universo é importante para nós por aquilo que Ele é. Ao mesmo tempo o que Deus faz (as Suas obras) reveste-se de grande importância para nós. A primeira obra de Deus foi a criação do universo, Veja os capítulos um e dois do livro de Gênesis. Mediante o exercício do Seu poder de criar, Deus trouxe a existência o universo inteiro, visível e invisível. Isso inclui os sistemas do universo material (o sol, a lua, as estrelas, os planetas, os cometas, etc.), e também todas as ordens de seres, incluindo os seres espirituais, excetuando unicamente a Ele mesmo. Essa criação é claramente declarada nas Escrituras, conforme veremos.

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sexta-feira, 24 de março de 2017

A Doutrina de Deus - 12.


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A santidade de Deus é o tema também de muitas passagens do Novo Testamento. Já vimos no Antigo Testamento vários exemplos do fato das pessoas não terem acesso direto a Deus, como também não conseguirem esse acesso por meio dos seus esforços. No Antigo Testamento, um sacerdote santificado aproximava-se da presença de Deus, a fim de fazer expiação pelos pecados do povo. Mas agora uma expiação definitiva foi feita através do sacrifício do próprio Filho de Deus, Jesus Cristo. De acordo com Romanos 5.2: (“Foi Cristo quem nos deu, por meio da nossa fé, esta vida na graça de Deus. E agora continuamos firmes nessa graça e nos alegramos na esperança de participar da glória de Deus” - NTLH);
e Efésios 2.13-18: (“Mas agora, unidos com Cristo Jesus, vocês, que estavam longe de Deus, foram trazidos para perto dele pela morte de Cristo na cruz. Pois foi Cristo quem nos trouxe a paz, tornando os judeus e os não-judeus um só povo. Por meio do sacrifício do seu corpo, ele derrubou o muro de inimizade que separava os judeus dos não-judeus. Ele acabou com a lei, juntamente com os seus mandamentos e regulamentos; e dos dois povos formou um só povo, novo e unido com ele. Foi assim que ele trouxe a paz. Pela sua morte na cruz, Cristo destruiu a inimizade que havia entre os dois povos. Por meio da cruz, ele os uniu em um só corpo e os levou de volta para Deus. Assim Cristo veio e anunciou a todos a boa notícia de paz, tanto a vocês, os não-judeus, que estavam longe de Deus, como aos judeus, que estavam perto dele. É por meio de Cristo que todos nós, judeus e não-judeus, podemos ir, pelo poder de um só Espírito, até a presença do Pai.” - NTLH);
se quisermos nos aproximar de Deus, isso terá de ser feito mediante os méritos de Jesus Cristo. O trecho de 1 Pedro 3.18: “ Pois o próprio Cristo sofreu uma vez por todas pelos pecados, um homem bom em favor dos maus, para levar vocês a Deus. Ele morreu no corpo, mas foi ressuscitado no espírito,” - NTLH), nos ensina que todas as nossas imundícias e injustiças são cobertas e expiadas pelo nosso reto Salvador, para que possamos chegar a presença do Deus santo. Portanto os trechos citados acima ensinam-nos que a única maneira de chegarmos à santa presença de Deus é através da expiação provida por nosso Senhor Jesus Cristo.
Não podemos falar sobre a santidade de Deus, sem também mencionarmos a Sua retidão e a Sua justiça. Muitos estudiosos da Bíblia classificam essas duas qualidades como atributos separados da Deidade; mas a retidão e a justiça são resultados diretos da santidade de Deus. Esses são aspectos de Sua santidade, vistos no Seu relacionamento com as pessoas.
Em primeiro lugar, a santidade divina se expressa mediante a retidão. Deus estabeleceu neste mundo um governo moral. Isso significa que Ele decretou leis justas (eqüitativas e certas), sob as quais as pessoas devem viver. Em segundo lugar, a santidade de Deus se expressa mediante a Sua justiça. Deus administra as Suas leis com equidade; Ele recompensa aqueles que obedecem e castiga aqueles que desobedecem a essas leis.
A retidão divina é demonstrada por seu amor à santidade em Seu povo. Deus não somente é santo; mas também requer que o Seu povo seja santo. Sua justiça é demonstrada pelo fato dEle julgar o pecado. Visto que Deus não pode tolerar o pecado, por isso mesmo deve punir aqueles que pecam. Deus exige de mim, depois de eu me tornar crente e abandonar os meus caminhos pecaminosos, que eu seja santo e que eu compartilhe de Sua santidade.
A santidade é uma qualidade da vida cristã que envolve mais do que não fazer o que é errado. Ela se expressa sob a forma de ações corretas, quando fazemos aquilo que o amor de Deus leva-nos a fazer pelas outras pessoas. Isso produz em nós o interesse pelas pessoas que nos cercam. Por exemplo, podemos manter a nossa obediência a Deus enquanto ministramos às necessidades de outras pessoas. Não precisamos transigir os princípios cristãos a fim de servir a outras pessoas. A parábola que Jesus contou, registrada em Lucas 10.29-37, ilustra o ideal cristão (o padrão da perfeição) com o qual deveríamos nos identificar. E, ao mesmo tempo, demonstra o tipo de atividades que exprime o nosso ideal, de maneira prática, no trato com os nossos semelhantes. O único dos três indivíduos citados na parábola narrada em Lucas 10.29-37 que expressa o ideal da santidade cristã em suas ações é o samaritano, pois ele mostrou que fazia o que é direito. Aplicou à vida os princípios que defendia.
Conforme podemos ver em Hebreus 12.10 e 14: (“Os nossos pais humanos nos corrigiam durante pouco tempo, pois achavam que isso era certo; mas Deus nos corrige para o nosso próprio bem, para que participemos da sua santidade. Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”), a Bíblia exorta cada um de nós a viver uma vida santa ou separada. Uma pessoa pode obedecer a esse mandamento e ao mesmo tempo, envolver-se na vida da comunidade, conforme Jesus ensinou em Mateus 5.13-16. Esse trecho bíblico ensina que não devemos perder a nossa santidade, mas antes devemos servir de exemplo para as outras pessoas. Dessa maneira, um crente não haverá de envolver-se com aquilo que o Novo Testamento não permite. Não obstante, o crente fará tudo quanto estiver ao seu alcance, a fim de servir aos seus familiares e vizinhos, mostrando que se interessa por eles.

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

A Doutrina de Deus – 11.
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Deus: Suas Características Morais e Suas Obras.
Você já ficou perturbado e repleto de dúvidas e indagações, ao ler no jornal à respeito de alguma grande tragédia ocorrida na vida de um crente? Você já viu pessoas más obterem grande sucesso ou riqueza mediante práticas desonestas e perguntar porque Deus permite tais coisas? Com freqüência as nossas mentes se sentem perturbadas, ao vermos injustiças e então indagamos por que motivo Deus deixa tais coisas acontecerem.
Quando compreendemos mais claramente as características morais de Deus – Seu amor e santidade – e como Ele atua nesse mundo, então descobrimos que há um propósito para todas as coisas que acontecem conosco. O alvo de Deus é preparar-nos para o Seu reino eterno e Ele mostra-se ativo em nossas vidas, para atingir esse alvo.
Nesse post veremos as características morais de Deus e veremos que Aquele que nos criou mantém-se ativo em Sua criação, provendo tudo quanto é necessário para conduzir-nos ao Seu reino. Contudo, Ele permite que tomemos as nossas próprias decisões e que arquemos com a responsabilidade pelas escolhas que fazemos. Abramos a Ele os nossos corações, enquanto consideramos, o quanto Ele nos ama e como Ele governa a Sua criação.
As características morais de Deus são as características reveladas no trato de Deus com os homens e as mulheres, e incluem a santidade e o amor de Deus. Vejamos em primeiro lugar a santidade de Deus.
Através de que característica você gostaria de ser conhecido em sua vizinhança? Por ser mão fechada? Por gostar de falar mal da vida alheia? Por ser uma pessoa boa? Por ser amável com os outros? Deus interessava-se em ser conhecido entre as nações por uma de Suas características específicas. Ele queria ser chamado de “O Santo” (veja Ez 39.7: “Farei conhecido o meu santo nome no meio do meu povo de Israel e nunca mais deixarei profanar o meu santo nome; e as nações saberão que eu sou o SENHOR, o Santo em Israel.” – RA).
Temos aprendido que é impossível Deus incorrer em algum equívoco intelectual, porquanto Ele sabe todas as coisas. Por causa de Sua santidade, também é impossível que Ele caia em algum erro moral. A santidade é a característica de Deus que exprime a perfeição de tudo quanto Ele é. A santidade é a base de todas as Suas ações. Assim sendo, tudo quanto Deus faz é direito e bom.
A palavra santidade contém a idéia de separação. O perfeito ser divino está separado de todas as pessoas malignas e de todo o mal, estando exaltado muito acima de tudo isso. No entanto, embora Deus seja perfeitamente santo e separado de Suas criaturas, Ele mantém um certo relacionamento com o seu povo por causa do que está sempre perto deles. Mais adiante veremos como isso é possível.
Podemos observar a santidade de Deus em cada uma de Suas atitudes e ações. A santidade de Deus inclui o amor por aquilo que é bom e Seu ódio por aquilo que é mau. Portanto, o Senhor deleita-se na probidade e na bondade e Ele se separa do mal e o condena.
O fato de Deus se separar das pessoas é algo necessário, por causa da pecaminosidade humana. Essa verdade é salientada por muitas vezes no Antigo Testamento. Deus disse para Moisés levantar uma cerca em redor do Monte Sinai (Ver Ex 19.12,13,21-25: “Marcarás em redor limites ao povo, dizendo: Guardai-vos de subir ao monte, nem toqueis o seu limite; todo aquele que tocar o monte será morto. Mão nenhuma tocará neste, mas será apedrejado ou flechado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá. Quando soar longamente a buzina, então, subirão ao monte”. “ e o SENHOR disse a Moisés: Desce, adverte ao povo que não traspasse o limite até ao SENHOR para vê-lo, a fim de muitos deles não perecerem. Também os sacerdotes, que se chegam ao SENHOR, se hão de consagrar, para que o SENHOR não os fira. Então, disse Moisés ao SENHOR: O povo não poderá subir ao monte Sinai, porque tu nos advertiste, dizendo: Marca limites ao redor do monte e consagra-o. Replicou-lhe o SENHOR: Vai, desce; depois, subirás tu, e Arão contigo; os sacerdotes, porém, e o povo não traspassem o limite para subir ao SENHOR, para que não os fira. Desceu, pois, Moisés ao povo e lhe disse tudo isso.” - RA). Ele queria que a nação de Israel percebesse que os homens, que são pecadores, precisam estar separados do Deus santo.
A separação entre Deus e os pecadores também pode ser vista no simbolismo da tenda, ou tabernáculo, que Deus disse para Moisés levantar no deserto. Um aposento muito especial do tabernáculo era fechado com cortinas (ver Ex 26.33: “Pendurarás o véu debaixo dos colchetes e trarás para lá a arca do Testemunho, para dentro do véu; o véu vos fará separação entre o Santo Lugar e o Santo dos Santos” - RA). Somente uma pessoa tinha permissão de entrar nesse aposento do tabernáculo, um sacerdote santificado, que podia entrar ali uma vez por ano, a fim de borrifar sangue sobre o propiciatório (ver Lv 16). O Sumo Sacerdote assim fazia para a expiação pelos pecados do povo, na presença do Deus santo. Dessa maneira, o povo podia ver o quanto Deus odiava os seus pecados.
Há muitas referências no Antigo Testamento que salientam a santidade divina. Os trechos de Is 59.2 e Hc 1.13 ensinam que o pecado afasta Deus das pessoas pecaminosas, como também separa essas pessoas de Deus. As passagens de Jó 40.3-5 e Isaías 6.5-7 mostram-nos que quando temos uma verdadeira compreensão sobre a santidade de Deus, também percebemos quão horrenda coisa é o pecado. Quando percebemos a ilimitada santidade de Deus, isso cria em nós a tristeza por causa do pecado, a confissão do pecado e a humildade.

Continua no próximo post.